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sexta-feira, fevereiro 20, 2009

A Banda Louca do Paulão



O texto foi postado por Marçal Santos. Assinado por Paulão. Tópico da Comunidade do Orkut "GRÊMIO', com o endereço no final.
O nosso partido nessa ronha é a paz e a união.
Muitas vezes o conceito é uma coisa e a prática é outra. Geralmente, as desavenças decorrem da sobreposição de interesses pessoais, eleitorais, partidários sobre os interesses do Clube.
Em todos os níveis.
O texto do Paulão - irrelevante ter havido ghost writer - expressa o sentimento puro da volta às origens.

SEM TOMAR PARTIDO ENTRE FACÇÕES, no sentimento, achamos que vale a pena ser lido o COMUNICADO DO PAULÃO.

- Este espaço, localizado atrás da goleira da Carlos Barbosa, junto ao Portão 18, denominado Geral, acabou reunindo pessoas das mais variadas, com apenas uma coisa a uni-las: o amor ao Grêmio, que os permitia qualquer sacrifício.

- Surgia a Banda Louca do Paulão. Iniciava-se a Revolução. E só podia ser no Rio Grande do Sul e só podia surgir no lado azul deste estado.

- Havia Paulão perdido o controle de sua criatura? Sim, Paulão havia se tornado um Chefe de Estado, porém não de Governo.

- E os que agora governavam, já não tinham os mesmos ideais que o Velho Capo, agora acusado de ser um velho louco e ultrapassado. Paulão não acreditava que a sua criatura, à sua Ode ao Grêmio, havia se tornado um monstro de totalitarismo e barbárie.

- O Stalinismo havia tomado conta das arquibancadas do Monumental.

- Porém, ao anunciar seu exílio, descobre não estar sozinho, é quando o encanto da cegueira se esvai do corpo do Velho Rei e ele percebe que é hora de reensinar os antigos valores.

...para que a Revolução pelo sentimento volte a acontecer, pelo Grêmio e para o Grêmio.

- Só queremos torcer!


[PAULÃO] - Comunicado aos Gremistas
Em meados de 2001, pressionado pelo esvaziamento dos estádios de futebol, causado pela campanha de certos veículos de comunicação, que afirmavam ser mais barato e seguro assistir aos jogos de seu time em casa, no conforto do lar, campanha esta realizada por uma questão de mercado, apenas pela necessidade de aquecer as vendas de seus pacotes de pay-per-view, sob pena da falência de seus sistemas de tv a cabo, visto que o público-alvo, os torcedores de alto e médio-alto poder aquisitivo, ainda freqüentavam cadeiras e camarotes. Além, é claro, da caça às bruxas realizada pelos órgãos de segurança sobre as torcidas organizadas, que afastava os torcedores de classes média-baixa e baixa das arquibancadas, a direção do Grêmio resolve criar um espaço para o torcedor menos abastado, a preços acessíveis a todos que se arriscassem a ficar se acotovelando para comprar um ingresso. Este espaço, localizado atrás da goleira da Carlos Barbosa, junto ao Portão 18, denominado Geral, acabou reunindo pessoas das mais variadas, com apenas uma coisa a uni-las: o amor ao Grêmio, que os permitia qualquer sacrifício.

Dentre estas pessoas, havia uma em especial, uma espécie de Joquim das arquibancadas, um visionário para alguns, um utópico para outros e uma lenda para muitos. À ele se juntaram mais alguns borrachos, todos identificados com a cultura que construiu o Grêmio, essa cultura do amor visceral, desmedido, incontrolável pelo Rio Grande e sua gente, sua terra e suas tradições. Pessoas que se uniram pelo alento ao Grêmio, pelo prazer de um bom trago e pela honra à amizade. Surgia a Banda Louca do Paulão. Iniciava-se a Revolução. E só podia ser no Rio Grande do Sul e só podia surgir no lado azul deste estado.

Essa Revolução, incompreendida e combatida no início, alcunhado das mais diferentes formas: Borrachos da Geral, Alma Castelhana, Argentinos, Renegados, entre outros. O nome poderia mudar, de acordo com a ótica do observador, mas todos percebiam uma coisa, que o sentimento transbordava aquele espaço. Ser inadptado é fazer a Revolução contra o sistema e lutar contra o sistema é Quixotesco. Mas, pedir ao gaúcho que abandone seus ideais é arranjar inimizade. E mais uma vez, contra tudo e contra todos, a Revolução aconteceu. E surgiu a primeira Barra do Brasil. E ela invadiu o país, começando, lógico, por aqueles que vivem de imitar.

Mas, o que o Grande Capo sempre deixou claro, é que o torcedor gremista devia respeitar a tudo e à todos, sempre carregando os ideais de Liberdade, Igualdade e Humanidade. Ou seja, respeitando as diferenças e não confundindo, como ele mesmo sempre dizia “hooliganismo com maloqueirismo”.

Porém, em algum ponto, a Revolução estagnou e foi cooptada pelo sistema. Ah, o vil e impiedoso sistema! Ele não poupa ninguém. Gessinger já havia alertado que o Pop não poupa ninguém. E a Geral havia se tornado pop. Havia Paulão perdido o controle de sua criatura? Sim, Paulão havia se tornado um Chefe de Estado, porém não de Governo. E os que agora governavam, já não tinham os mesmos ideais que o Velho Capo, agora acusado de ser um velho louco e ultrapassado. Paulão não acreditava que a sua criatura, à sua Ode ao Grêmio, havia se tornado um monstro de totalitarismo e barbárie. O Stalinismo havia tomado conta das arquibancadas do Monumental. À medida que o monstro se robustecia, alimentado pelo Ego de alguns, os que acreditavam no velho ideal se exilavam, não acreditando que a Revolução havia fracassado e que o Velho Rei estava cego.

Muitos alertavam aos que estavam no comando, que algo estava errado e que o sentimento estava sendo mutilado no Templo Imortal. Estes eram rechaçados e tratados como leprosos, suas vozes não eram ouvidas e seus apelos eram ignorados. E o Rei Cego à tudo assistia calado. Ele não se ergueria contra a intolerância e a barbárie?! Havia ele desistido de seus ideais?! Ele, que lutou tanto pelo Grêmio, deixaria que sua criação virasse maior do que o motivo dela existir?! Muitos pensaram isso!

Porém, nada pode ser maior que o Imortal!

Então, o Velho Capo resolve abandonar a sua criação, não reconhecendo mais nela a beleza de outrora. A Geral havia se tornado a antítese dela mesma. Acreditando que a Revolução morrera, o Velho Mestre parte em exílio. Porém, ao anunciar seu exílio, descobre não estar sozinho, é quando o encanto da cegueira se esvai do corpo do Velho Rei e ele percebe que é hora de reensinar os antigos valores. Revigorado, Paulão decide que ainda é tempo de escrever mais um capítulo desta história e parte em mais uma jornada, lado a lado com velhos companheiros, como as Geraldinas e outros que sempre o apoiaram, como os integrantes da Máfia Tricolor, novamente todos estes com um único ideal: apenas torcer pelo Grêmio!

Jamais o Velho Criador imaginaria que sua criação se voltaria contra ele e no fatídico dia 16 de novembro de 2008, a barbárie tomou conta das imediações do Monumental. E tiros foram disparados, seres humanos foram feridos e o último resquício de dignidade da outrora bela criatura de Paulão se extinguira.

Porém, o espírito do povo de Paulão se fortaleceu e o Velho Capo decidiu que era necessário deixar o sentimento se reencontrar com seu Templo, sob pena da intolerância dominar o Olímpico por completo. Sabendo que povo que não tem virtude, acaba por ser escravo, a Banda Louca do Paulão reencontra-se com seu velho lugar, sua velha história, seus velhos ensinamentos, enfim, a Velha Escola para que a Revolução pelo sentimento volte a acontecer, pelo Grêmio e para o Grêmio.

Só queremos torcer!

Um abraço aos irmãos gremistas,

Paulão

Comunidade GRÊMIO
http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=22731&tid=5304565797794993847

(recebido de um colaborador)

domingo, julho 20, 2008

Geral, a maior das conquistas.


Geral, a maior das conquistas.
Por César Cidade Dias
16/07/2008-02:42:12

Acompanho o Grêmio desde que nasci. Vi, in loco, quando Catimba ganhou asas e conquistamos o Gauchão de 77. Vi Renato, o ídolo máximo, embretado na ponta, jogar a bola branca aos céus e deles cair a Libertadores de 83 contra o Peñarol.


Vi também o grande Grêmio de 86, formado pelo Dr. Adalberto Preiss, que contava apenas com jogadores formados nas categorias de base do clube. Vi a década de ouro sentado em meu lugar no eterno Olímpico. Vi Cacalo brigando à beira do campo. Vi Felipão e o seu jeito único. Vi Jardel e sua cabeça abençoada. Vi Dinho mostrando suas travas e seu amor pelo Tricolor. Vi o gol contra de Marulanda e a América tingindo em três cores uma vez mais. Vi o Grêmio bailarino de Tite e tantas, tantas outras vitórias.



Durante esses meus 38 anos, o Grêmio conseguiu ser um mar de infinitas alegrias. Eu vi crescerem incontáveis craques na nossa casa e assisti a outros grandes talentos se unirem à nossa paixão. Fui receber Ancheta, o maior defensor da maior de todas as Copas, e Telê, mestre definitivo da casamata. Eu vi chegar Dener e sua habilidade inexplicável. Eu vi partir Dener, fugaz e maravilhoso como um sonho bom, a quem demos a única glória em vida. Eu vi Portaluppi voltar ao Monumental, eu vi Marcelinho Paraíba calando os paulistas. E até "El Jefe" Astrada eu vi vestir o manto. Muito liguei para o Fica Jardel, comprei mais de um título em várias campanhas de novos sócios. Fui, sou e serei sempre um gremista de todas as horas. Tenho orgulho de todos os nossos presidentes, sejam nas horas boas ou ruins. O Grêmio, para mim, é maior do que todas as suas administrações.



Mas em época de novas contratações, com Souzas, Tchecos e Ortemanns aportando no Largo dos Campeões, acabei me defrontando absurdamente com a minha razão, tão pouco usada nestes muitos anos de Grêmio. Entendi que a força do nosso clube está fora do campo. A maior de todas as conquistas da história é a Geral do Grêmio. O fundamental reforço vem de trás do gol. E joga a morrer durante os noventa minutos. Cheguei à conclusão de que a Geral do alento intermitente, a Geral das barras estiradas como braços em riste, a Geral, meio torcida, meio loucura, a Geral, enfim, do espetáculo de paixão absolutamente único no país é quem faz o clube sobreviver.

É ela quem escora o corpanzil de Marcel no ar e o faz acertar um voleio impossível. É ela quem coloca no pé de Tcheco a precisão de um atirador de elite. É ela quem transforma Victor, um desconhecido de Barueri, numa parede de gelo intransponível, no goleiro revelação do Brasileirão. É ela quem posta o menino Léo à frente da área um dia protegida por Airton e, pouco depois, o vê brotando na lista de compras de metade dos clubes da Europa.



O Grêmio é maior do que todos por causa da sua torcida. Hoje, tenho orgulho de dizer que vou ao Olímpico para ver todo o Grêmio. Os nossos jogadores, o nosso estádio, a nossa história e a nossa grande torcida: a Geral do Grêmio, a maior conquista de todos os tempos.

http://www.finalsports.com.br/colunas_dupla/col/headline_gremio.php?n_id=1653&u=1\