sexta-feira, março 12, 2010
Respostas sobre a Arena – Final
Chegamos à última etapa da entrevista sobre o projeto Arena com o presidente da Grêmio Empreendimentos, Adalberto Preis. Lógico que as perguntas não se esgotam aqui, mas acredito que o material ficou bem interessante e completo. Esse tópico responde perguntas feitas nos comentários do post Respostas Sobre a Arena – Parte 5. Se alguma questão feita naquele tópico não aparece aqui, é porque a resposta já havia sido dada em outra parte do extenso material.
Na terça-feira, mais um passo foi dado: o mastro que será colocado no terreno da futura casa Tricolor começou a ser instalado. Fotos e informações aqui, aqui e aqui.
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1- Tenho uma dúvida de caráter jurídico: vamos supor que, devido algum desajustado mental, a Arena seja interditada por alguns jogos, com perda de mando de campo, haverá algum ressarcimento por parte da instituição Grêmio à empresa gestora? De que forma esses contratempos dessa natureza foram acertados em contrato?
Está tudo regrado no contrato. A Superficiária será responsável pela segurança das pessoas que comparecerem à Arena e deverá zelar por manter o campo livre e desimpedido de invasões, objetos e quaisquer outros elementos e fatos que possam prejudicar a corrência da partida, ou ser utilizados como motivo para a punição de perda de mando de campo.
Nos casos em que os jogos não possam ser realizados na Arena em decorrência de punição aplicada ao Grêmio por culpa da Superficiária, deverá a Superficiária reembolsar o Grêmio pelo valor correspondente ao total do custo suportado por este para realizar a partida em outro local, independentemente das receitas que ao Grêmio auferir na realização de tal jogo, receitas estas que em tal caso pertencerão exclusivamente ao Grêmio.
Nos casos em que os jogos não possam ser realizados na Arena em decorrência de punição aplicada ao Grêmio por sua culpa, como conseqüência de atos praticados diretamente pelo Grêmio ou seus prepostos, deverá o Grêmio reembolsar à Superficiária, por partida que deixe de ser realizada, o valor correspondente a 60% (sessenta por cento) da receita bruta média de bilheteria apurada nos 5 (cinco) jogos do mesmo campeonato realizados na Arena, imediatamente anteriores ao da punição.
2- Se todo o treinamento for dirigido para o CT de Eldorado do Sul e os jogos do time profissional ocorrerem na Arena, corremos o risco de os atletas de base só poderem pisar o gramado quando forem profissionais?
O Grêmio terá o direito de utilizar a Arena em todos os jogos de futebol em que tenha o mando de campo, sejam eles em competições regionais, estaduais, nacionais ou internacionais, e mesmo em jogos amistosos, quando realizados na Região Metropolitana de Porto Alegre. Poderá também treinar segundo cronograma a ser estabelecido no Plano Anual. Pelo menos em duas hipóteses os atletas da base poderão “pisar o gramado”: em treinamentos contra os profissionais e em jogos preliminares. Não há nenhuma proibição de que, o cronograma de utilização da Arena preveja, também, jogos da base.
3- O Custo da Arena em R$350 milhões não está alto, já que o entorno não nos pertencerá?
Todos os estudos indicam ser valor compatível e adequado para a construção de uma Arena nos moldes e com a qualidade pretendida.
4- As vagas de estacionamento as 2000 e poucas que estão dentro da arena o Grêmio terá lucro sobre elas?
Haverá 314 vagas de uso exclusivo e permanente do Grêmio. As demais serão locadas para os jogos e demais atividades da Arena multiuso. Comporão receita da Superficiária que pagará ao Grêmio um preço fixo e um valor variável conforme já explicado. Sendo assim, a resposta é positiva. Com a assunção da gestão pelo Grêmio, após a extinção do direito de superfície, a receita total será do Grêmio.
5- Recentemente, o governo (federal?) anunciou incentivos fiscais para a construção e reforma de estádios nas cidades-sede da copa do mundo 2014. O contrato com a OAS é anterior a este fato. Pergunto: Se realmente ficar mais barato para a OAS erguer a Arena, não deverá a empresa dividir este benefício com o Grêmio?
O Convênio ICMS CONFAZ nº 108, de 26/09/08 autoriza os Estados a concederem isenção de ICMS às operações de mercadorias e bens destinados à construção, ampliação, reforma ou modernização de estádios a serem utilizados na Copa do Mundo de 2014.
Nessa linha, o Governo do Estado do Rio Grande do Sul editou decreto de isenção.
No entanto, a efetividade dessas autorizações dependia de outras concessões por parte do Governo Federal.
O que se espera de nova reunião do CONFAZ prevista para o final deste mês de Março é a autorização aos Estados para concederem a isenção independente da mesma providência pelo Governo Federal.
A expectativa de inclusão da Arena do Grêmio baseia-se na redação genérica “estádios a serem utilizados na Copa do Mundo de 2014”, particularmente, como estádio de apoio. O usufruto do benefício ainda não foi negociado.
6- Quando vão começar a vender as acomodações da Arena (Cadeiras e Camarotes)? Se existe já um cronograma para isso, seria legal divulgar, acho que isso deve começar a ocorrer ainda na fase de construção, quanto antes melhor para todos.
Já há pesquisas de mercado sendo realizadas para a colocação de Cadeiras Gold e de Camarotes. Uma empresa especializada está cuidando disso. Sem data definida para o início da oferta ao público. Com certeza acontecerá antes da conclusão da obra.
http://colunas.globoesporte.com/minwer/2010/03/10/respostas-sobre-a-arena-%e2%80%93-final/
terça-feira, janeiro 12, 2010
A Arena "em última análise"- parte V
- Emirates Stadium do Arsenal da Inglaterra.
- Allianz Arena do Bayern de Munique
- HSH Nordbank Arena do Hamburger SV.
domingo, janeiro 10, 2010
A Arena "em última análise"- parte IV
Respostas Sobre Arena – Parte 4
Libertadores 2007: 39.555 – projetado para a Arena: 43.338
Campeonatos Brasileiros de 2005 a 2008: 24.144 – projetado para Arena 32.503
Campeonato Gaúcho: 12.946 – projetado para a Arena: 15.535
Copa do Brasil: 2005, 2006, 2008: 16.540 – projetado para a Arena 20.713
Índice do estudo feito pela FGV
Preço dos ingressos também já foi estudad
A Arena "em última análise" - Parte III
Respostas sobre a Arena – Parte 3
Esse trecho é um pouco menor, mas não menos importante porque aborda a questão dos riscos ao negócio. Em breve terei respostas para questão dos sócios, o entorno do estádio e comparações com o Olímpico entre outras.
Ontem, em alguns comentários cheguei a afirmar equivocadamente que somente a OAS pagaria sozinha o financiamento. A resposta à pergunta 4 abaixo faz essa correção. Ficam aqui minhas desculpas.
1- No caso da OAS falir, o Grêmio terá que ajudá-la financeiramente (através da Arena)?
Não. A Construtora OAS Ltda. será controladora da empresa “superficiária” a qual será a gestora da Arena com a co-gestão do Grêmio (participação no Conselho de Administração, direito de veto e unanimidade necessária nas principais questões da Arena).
Eventual falência da OAS não acarreta a falência da Gestora que será uma SPE, Sociedade de Propósito Específico. Tratará só da Arena.
2- Quais as reais garantias de custos de capital interno da empresa construtora em caso de concordata ou desistência do empreendimento em plena execução da mesma? E caso isso ocorra como o Grêmio fica pertinente a dívida pendente?
Haverá seguro de “performance Bond” para garantir a execução da obra. O Grêmio não será devedor do financiamento nem oferecerá garantias para o financiamento. E o mais importante, o Grêmio somente entregará a área do Estádio Olímpico contra o concomitante recebimento da Arena pronta em condições de uso.
3- Caso a OAS não consiga o financiamento que está pleiteando junto às instituições financeiras, motivo pelo qual a obra nunca inicia, pode simplesmente indenizar o Grêmio e desistir do Projeto Arena?
O motivo de as obras não iniciarem não é a falta de financiamento. É a necessidade da aprovação dos projetos e a obtenção das licenças ambientais perante a Administração Municipal. Caso não seja obtido o financiamento nem outra solução – é previsão contratual – poderá haver desistência do negócio sem indenizações. Fica como está. O Grêmio com o Estádio Olímpico. Porém, a OAS já anunciou perante o Conselho Deliberativo do Grêmio que terá o financiamento no prazo previsto.
4- E se a OAS não pagar o financiamento, o estádio não pode ser tomado do tricolor?
Não. O financiamento será pago pela empresa gestora com garantias prestadas pela OAS. Se não pagar o financiamento, o credor executa as garantias. A Arena não estará entre as garantias.
5- Com relação a ação judicial que alguns gremistas estão acionando sob a alegação de prejuízo ao clube. Essa ação pode, por si só, acabar com o projeto Arena?
Não existe nenhuma ação judicial de gremistas. Porém, se houver e se a exploração dos Imóveis da Azenha se impossibilitar, seja atrasada ou de qualquer forma afetada em decorrência de demandas de seus associados ou torcedores; o Grêmio terá de indenizar. Na perda da ação esses associados ou torcedores, obviamente, serão chamados à responsabilidade e terão de indenizar o Grêmio.
6- O que o Grêmio pensa sobre isso, e há possibilidade de punição do clube a esses “sócios” tricolores?
A menor punição seria a exclusão do quadro social. Mas não se resume nisso. Como dito na resposta anterior, cada um é responsável, individualmente, por seus atos e poderá ser chamado a indenizar perdas e danos e lucros cessantes.
A Arena em "última análise" - Parte II
Respostas sobre a Arena – Parte 2
Segue a 2ª parte, onde o Preis responde às perguntas sobre valores, duração do contrato e demais itens do negócio. Várias questões enviadas abordavam a mesma questão e por isso perguntas como, por exemplo a 3, 4, 5 e 6 tiveram a resposta condensada em uma só.
1- A arena estão dentro dos orçamentos do clube ou faremos parcerias como o Corinthians fez para trazer o Ronaldo?
O dinheiro será recebido pelo Grêmio e incluído como receita no orçamento do Clube.
2-Em quanto é avaliado o valor do Estádio Olímpico?
Foi avaliado em 60 milhões antes da aprovação do regime urbanístico
3- O estádio Olímpico entra realmente como uma parte do valor de contrapartida para execução?
4- Além da área do Olímpico, o Grêmio vai precisar colocar mais alguma contra-partida financeira para a construção da Arena?
5- Como exatamente o Grêmio vai “pagar” o investimento da OAS? Só a exploração do entorno da Arena vai cobrir a construção e ainda dar lucro para eles ou parte da receita da Arena cobrirá esse valor?
6- Quanto, exatamente, o Grêmio está pagando pela Arena?
O terreno do Estádio Olímpico é o bem imóvel que o Grêmio entregará para a OAS.
Com a aprovação de regime urbanístico para o terreno do Estádio Olímpico e para a área do Humaitá (empreendimentos futuros da OAS), pode-se dizer que esses índices compõem também o valor econômico disponibilizado para a parceira. Além disso, a OAS terá uma participação de 35% do Lucro Líquido Ajustado da Arena, nos aproximadamente 13 anos finais. (após o pagamento do financiamento). Não se tem, hoje, ainda, uma valor financeiro exato para todos esses itens. Por isso o Conselho Deliberativo considerou como contrapartidas básicas a entrega de um Estádio ultrapassado (praticamente a entrega de um terreno, pois a demolição do Olímpico gerará um custo importante) pelo recebimento de um Estádio novo.
7- De onde virá o dinheiro para a construção da Arena?
8- Quanto ao finaciamento, junto a que instituição finaceira será realizado?
Isso está contratado. A OAS empregará 55% de capital próprio e 45% serão financiados.
A OAS porá o dinheiro “na frente” e procurará se ressarcir, posteriormente, em vários anos, nos empreendimentos do Humaitá e da Azenha, e buscar o lucro perseguido.
9- Quem está encarregado do pagamento do finaciamento (Grêmio ou OAS)?
A contratação do financiamento, prestação de garantias, pagamento do financiamento, ditos simplificadamente, serão feitos pela OAS.
10- Quanto tempo para pagá-lo?
O prazo máximo do financiamento será de 10 anos contados do início da obra. Como o prazo de construção está contratado em 30 meses, o prazo para o pagamento será de 7 anos e meio.
11- Qual é o total do custo de construção apenas da Arena?
Cerca de 350 milhões de reais.
12- De quanto será o lucro e para onde irá este valor, alguma parte vai para contratações ou irá tudo para pagar as contas?
13- Quanto o Grêmio irá receber da OAS por ano e como serão feitos esses pagamentos (mensais, semestrais…)?
O Grêmio receberá: primeiro período (o do financiamento) R$7 milhões/ano mais 100% do Lucro Líquido Ajustado e, segundo período (pós-financiamento): R$14 milhões ano mais 65% do Lucro Líquido Ajustado. O preço fixo será reajustado.
14- Esse projeto afetará ou não o futebol? Se gastará muito dinheiro com estádio e esquecerão de montar times competitivos?
15- Com empresa sendo dona de todo o lucro em volta da Arena e mais de uma parcela do que o Grêmio arrecadar nas partidas, vai faltar dinheiro para o futebol? De alguma forma isso poderá influenciar na verba destinada ao futebol?
Nenhuma relação direta com o futebol. As verbas diretas do futebol, venda de jogadores, propaganda na camiseta, verba de TV, e ainda as chamadas receitas de marketing e o quadro social, serão receitas do Grêmio sem nenhuma participação da OAS ou da empresa gestora. Como as parcelas a serem recebidas pelo Grêmio relativas à Arena serão líquidas, poderão, segundo a gestão do Clube, reforçar os recursos destinados ao futebol.
16- O que será dividido entre Grêmio e OAS? (bilheteria, bares, estacionamento, publicidade estática, cotas de tv, renda de shows, convenções, venda de atletas, mensalidades do QS…)
Diria diferente: as receitas de bilheteria, bares, restaurante, naming rigths, locação de cadeiras, locação de camarotes serão arrecadadas pela empresa gestora. Essa empresa arcará como todos os custos e despesas da Arena de forma que os pagamentos a serem feitos ao Grêmio serão líquidos.
17- O que não será dividido?
Já respondido, mas não custa repetir: as verbas diretas do futebol, venda de jogadores, propaganda na camiseta, verba de TV, e ainda as chamadas receitas de marketing e do quadro social, serão receitas exclusivas do Grêmio sem nenhuma participação da OAS ou da empresa gestora.
18- Quais os percentuais?
19- Como será feito o cálculo?
Creio já estarem respondidas no bloco 12/13.
20- Por quanto tempo?
O prazo da parceria será de 20 anos, mediante o regime de direito de superfície, com uma série de cláusulas que dão ao Grêmio a co-gestão, com poder de veto sobre questões essenciais.
21- Existe alguma cláusula de revisão deste contrato, ou seja, poder-se-á valorar? Quanto e quando?
Não há cláusula de revisão.
22- O TERRENO onde será construída a Arena e demais benfeitorias a ela vinculadas passará a ser de propriedade do Grêmio ou haverá a necessidade do pagamento pelo uso do solo? Aparentemente a dívida pode parecer desprovida de sentido, mas é importante que isso fique esclarecido, pois, se a propriedade a ser repassada for exclusivamente da construção (e a referência que escuto é sempre à Arena), me parece que o Grêmio passará à condição de “inquilino” do terreno, utilizando-se plenamente das benfeitorias ali construídas, desde que remunere à OAS pela ocupação do terreno. Assim: a propriedade será do terreno (ainda que de parte dele) e das benfeitorias nele existentes ou somente da construção havida sobre o terreno?
O Grêmio será proprietário do terreno (solo). Vigorará direito de superfície, mediante o qual a chamada “superficiária” terá o direito e a obrigação de construir a Arena sobre o solo do Grêmio. Além disso o Grêmio terá resguardado o exercício de direitos de proprietário da Arena. Fiscalizará a obra, receberá ou não a obra. Terá o direito e a obrigação de usar a Arena para todos os jogos. Terá a co-gestão da empresa gestora, preferência para aquisição do controle dessa empresa e a opção de compra dela a qualquer momento dos 20 anos.
Nada a ver com locação. Terá preferência absoluta para seus jogos sobre qualquer outro evento. Treinará de forma a não prejudicar o gramado, resguardo prevalente em qualquer estádio importante no mundo inteiro. Terá uma área de aproximadamente 20.000 metros quadrados para uso exclusivo onde funcionarão a administração do Clube, Lojas, Memorial etc. conforme já informado em questão anterior.
Após 20 anos, extinguir-se-á o direito de superfície, consolidando-se em favor do Grêmio a propriedade plena sem qualquer pagamento para a OAS ou para a superficiária. Também a gestão da Arena passará a ser exclusiva do Grêmio.
23- Quando a parceria acabar (depois dos 20 ANOS), o Grêmio irá receber a Arena em ótimas condições, como na inauguração?
Questão respondida no item 5 da 1ª parte.
24- Qual a despesa de manutenção prevista?
25- De quem é a responsabilidade pela manutenção da Arena?
Há uma simulação de custos e gastos, tanto da Arena, quanto dos eventos, mas esse número ficarei devendo. A responsabilidade pela manutenção da Arena, por todos os custos e despesas ordinários, de jogos e eventos, serão da empresa gestora.
Acrescento, ainda, que existe um documento anexo ao contrato chamado “modelo de negócio” elaborado pela OAS e pelo Banco Santander, com base em informações do Grêmio e trabalho da Fundação Getúlio Vargas (contratada pelo Grêmio), com estudo de viabilidade, contemplando, no detalhe, todos as prováveis receitas e custos e despesas projetados para os 20 anos da parceria.



