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terça-feira, abril 07, 2009

"Cotejo de patrimônios" é o mais importante?



Foi publicado nos comentários do blog www.sempreimortal.wordpress.com, segundo informação do colaborador que nos enviou.

Assim como em outras ocasiões, para satisfação nossa, reproduziram matérias deste blog, tomamos a liberdade de ampliar o debate.

Concordamos com tudo? Não ou não necessariamente.

Acontece que o tema - abordado com seriedade e profundidade - merece reflexão.

Vamos lá:

Antonio Carlos de Azambuja Disse:
Senhor Paulo. Não precisa se preocupar com minha probidade, equilíbrio e imparcialidade no exercício de minhas funções no CF do Grêmio. Respondo por elas, tal como o fiz nos pareceres subscritos sobre as contas, principalmente as últimas, apresentadas pela direção Odone. Alguns que resultaram em ásperas discussões em plenário do Conselho com aquele presidente. Quero lhe informar, no entanto, que critico e criticarei toda qualquer direção do Grêmio, quer como torcedor, associado, conselheiro, membro do Conselho Fiscal, que, para mim, ficarem susceptíveis disso. Não admito patrulhamento no meu comportamento político, nesse aspecto. A sua dúvida é inconseqüente, desnecessária e descabida. E a sua suspeição, expressa, gratuita ( não lhe conheço e, por isso, nunca lhe fiz nada) beira à irresponsabilidade civil. O tema da leniência dessas direções todas, que empolgaram o comando do clube a partir das concessões graciosas que se fizeram ao Inter pelo Poder Público, por mim descritas na intervenção, foram denunciadas, alto e bom som, por escrito, na reunião de 27/03/2008 do sodalício, presenciada por cerca de 250 conselheiros, entre os quais quase todos os ex-presidentes que se sucederam no Grêmio depois de 1970, nos albores do Beira-Rio. Salvo Guerreiro (esporádica presença) e Rafael, (ausente permanentemente), e Irani ( falecido), estavam todos lá, Obino, Facchin, Dourado, Odone, Koff e Cacalo. Na oportunidade, exortei aos gremistas de todas as classes que tentassem , por meios próprios ou de influência, equilibrar esses desfavores históricos ao Grêmio, mudando uma atitude passiva do clube quanto a isso. Tivemos, nestes quase cinqüenta anos, inúmeros gremistas no poder, vereadores, deputados estaduais e federais, prefeitos, senadores, governadores, secretários municipais e de Estado, ministros, e até um presidente, democrático ou não, mas com poderes até de fechamento do Congresso, para desincumbirem-se da tarefa, sem que eu saiba de sequer terem-se interessado ou importado com isso, algo que era, e foi até a sua morte, uma preocupação constante do grande Renato Souza, presidente da Câmara ao tempo da ação do então vereador Ephraim Pinheiro Cabral, na obtenção dos beneficios colorados. Realmente, Sr. Paulo, não sou eu que não “sabe nada”, é o senhor que não sabe muita coisa.

Quanto ao cotejo dos patrimônios, importa referir que meus “amores” pelo estádio adversário - expressão exagerada , zombeteira e maldosa - resumem-se à admiração por administrações bem sucedidas. Por reformas para a Copa, também se enquadram, por exemplo, o Morumbi, a Arena da Baixada, a Fonte Nova (privados), o Maracanã e o Mineirão, sem falar nos nordestinos ( públicos) por certo também a remendarem-se e pintarem-se para ficar bem “bonitinhos”. Aqui, na aldeia, o modelo, lamentavelmente, é o do nosso adversário. Atribuir ao complexo Beira-Rio a condição de um remendo é, contudo, uma atitude de avestruz. Negar a excelência do Parque Gigante, o Centro de Eventos, os múltiplos campos de treinamento e o Ginásio, bem como ignorar na lei nova a licença para a construção de prédios comerciais, um dos quais com 52,00 metros de altura, dezessete andares, tudo destinado à exploração financeira, é, igualmente uma insanidade. Enquanto isso, resta conformarmo-nos com os escombros de um ginásio, com a demolição das piscinas, com abandono do parque náutico, com a irrelevância da ilha, com o desaparecimento da Mosqueteiro, com a baixa rentabilidade do Posto de Gasolina, com o esquálido aproveitamento de Eldorado. E dar graças a Deus pela área do Cristal estar sendo sustentada por esse formidáveis abnegados da Escolinha. Senão, seguramente teria o destino dos demais.

Detivemos, por vinte e cinco anos, a partir da jornada épica de Hélio Dourado nos 5 anos que foi presidente – esgotada em 1981 - cerca de 25 anos, uma quarto de século, a hegemonia no nosso futebol regional e todo o prestígio nacional e internacional decorrente das inquestionáveis conquistas de então. E o que restou patrimonialmente de todo esse sucesso desportivo ? Nada. Nossos bens imobiliários, afora o Estádio Olímpico, sempre deram muito mais despesa do que receitas. As áreas ociosas em seu redor são uma fábula, assim como grande parte de suas instalações, apenas reformadas para o deleite das direções, com quadros ornamentais e elevadores para dois andares absolutamente despicientes dentro do contexto geral. Ali, sim, há conforto e exuberância, todavia, benfeitorias apenas voluptuárias. E sabe porque tudo isso ? Disse-o bem Ilgo Winck - não importa se é gremista ou não – “é o resultado de anos e anos de administrações focadas apenas no futebol ” Exceção ao insigne Hélio, só agora reverenciado. .Não há time sem clube. Este é a matriz. E, na medida que deixou de ser exclusivamente uma associação de práticas olímpicas, mera lembrança no intróito dos seus estatutos. para incorporar-lhes atividades próprias de uma empresa de entretenimento esportivo, precisa de cada metro quadrado de seus bens para explorá-los, sustentar-se e prosseguir na direção do bicentenário. Pergunto, o que tem a ver o Internacional com isso, se não servir de exemplo de como se aproveitam os ciclos de glórias que a fortuna, vez por outra, contempla os destinos das pessoas e das instituições ?

Para terminar : não sou contra outro estádio, reformando-se o Olímpico ou construindo-se outro. Fui contra o negócio que o Grêmio fez e a maneira com que foi desenvolvido, como se fossem as únicas opções existentes. A precipitação e seu primo irmão, o açodamento. Não sou, entretanto, um irresignado. O que não tem remédio, remediado está. Repito o que já disse alhures, num outro post:: hoje, pelo menos, o Grêmio é proprietário de um, transcrição lançada no CRI, ainda que velho, sujo e obsoleto por 50 anos de uso. Tenho 67 anos, daqui a 23, quando eu tiver 90, se tudo der certo, voltará a sê-lo de outro, pouco menos velho, sujo e obsoleto, eis que com vinte anos de uso. Se assim for, e eu estiver vivo, brindarei com champanha o dia da volta do clube à mesma situação patrimonial de hoje, isto é, a propriedade plena sobre um estádio de futebol. Se não der, não quero estar mais aqui para ver.

Senhor Paulo, realmente eu não sei nada…
Cacaio Azambuja


terça-feira, janeiro 20, 2009

Profissionalização, falso dilema e outras questões

Palavra de Gremista # VIII

19/01/2009

Esta edição do Palavra de Gremista apresenta ADALBERTO PREIS, conselheiro do Grêmio, integrante do Conselho Consultivo e membro do Movimento Grêmio Sempre. Preis é um dos, se não o maior, defensor do Planejamento Estratégico como instrumento de gestão que deve ser plenamente aplicado no Grêmio, independentemente dos gestores.

Com vocês, a Palavra de Gremista de Adalberto Preis.

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- Gremista desde quando?

Gremista desde a adolescência. Desde quando, ainda, no ginásio, estudava em São Paulo. Por ouvir dizer, por acompanhar jogadores gremistas em seleções gaúchas. Algo meio inexplicável racionalmente.


- Quais cargos já ocupou no Clube e em que períodos?

Membro permanente do Conselho Deliberativo e integro o Conselho Consultivo.

- Conselheiro desde 1975

- Diretor do Departamento Jurídico (1975);

- Secretário Geral (1975);

- Vice-Presidente de Administração (1982);

- Vice-Presidente para Assuntos Extraordinários (1983);

- Vice-Presidente de Futebol (1985/1986/1998);

- Conselheiro Fiscal(1996/1998).

- Vice-Presidente de Planejamento (2003 e até out/2004 / Planejamento Estratégico);

- Vice-Presidente do Conselho Deliberativo (out/2004/2007);

Entre os títulos conquistados pelo Grêmio enquanto ocupava cargos de Diretoria, destacam-se :

- Libertadores da América e o Mundial Interclubes (1983);

- Campeonato e o Bicampeonato Gaúcho (1985/1986);

- Torneio de Rotterdam (1985, Bayern de Munique);

- Torneio Palma de Mallorca (1985, Barcelona); e

- Copa Philips (1986, Borussia).

- Presidente Interino em várias oportunidades.

- Qual a sua opinião sobre a profissionalização de cargos e funções no Grêmio?

A simples “profissionalização de cargos e funções” é falso dilema por ter um alcance muito pequeno. A “profissionalização de cargos e funções” é necessária, mas não suficiente.

Desde o ano de 2000, venho defendendo a administração estratégica e a gestão pela qualidade. Implica a utilização de Planejamento Estratégico e de todas as ferramentas modernas de gestão.

Em 2003, aceitei a Vice-Presidência de Planejamento, com o único propósito de iniciar a modernização da gestão do clube. Com esse objetivo, foi iniciado, em março de 2003, um Planejamento Estratégico com metodologia rigorosamente profissional. Trabalho coordenado pela Vice-Presidência e realizado por quase duas centenas de gremistas, finalmente aprovado pelo Conselho Deliberativo em setembro de 2004.

Também com esse objetivo, foi incluída, no Estatuto do Grêmio e no Regulamento Geral, a obrigatoriedade do Planejamento Estratégico, aprovação pelo Conselho, e das revisões periódicas e foram criadas uma gerência de planejamento (área executiva) e uma Comissão do Conselho de Acompanhamento do Planejamento Estratégico (Governança Corporativa). Nesse contexto, a profissionalização de cargos e funções (que já existe há muito tempo) tem de estar em sintonia, sempre, com o aperfeiçoamento da gestão estratégica. Mesmo com a imprecisão de toda simplificação, poder-se-ía dizer que a operação do clube deve estar prioritariamente com empregados remunerados e especializados onde isso for requisito. Para a elaboração das grandes definições estratégicas, é indispensável, a participação do talento voluntário a serviço do Clube.

Nada impede que um trabalho rigorosamente profissional seja realizado por talentos voluntários. Assim como, o simples fato de alguém ser remunerado não assegura trabalho de qualidade profissional. A essência da profissionalização está em utilizar metodologias profissionais para a obtenção de eficácia e de resultados otimizados.


- Hoje o Grêmio, politicamente, está dividido em grupos/movimentos. Qual a sua opinião sobre a existência desses grupos/movimentos?

Como quase tudo, tem um lado positivo e um aspecto negativo. O positivo é a organização da vida política do Clube, com o permanente debate das grandes questões, e o acesso das novas gerações à vida política. O negativo, até se alcançar o amadurecimento, é uma excessiva radicalização contrária aos valores consagrados do Grêmio. Na balança, no meu entendimento, os aspectos positivos são maiores do que os negativos.


- Muito se tem falado sobre a falta de transparência do projeto Arena desde a sua concepção até a sua aprovação junto ao Conselho Deliberativo. Qual a sua opinião sobre isso?

A meu juízo, o problema não esteve na “falta de transparência” e, sim, em determinado momento, na resistência à adoção de metodologias profissionais e, no final, no atropelo decorrente de fatos provavelmente alheios à vontade de todos, mas que, objetivamente, levou à impossibilidade de negociação integral e serena das sugestões das Comissões do Conselho Deliberativo.


- Iniciamos uma campanha pública pela redução dos índices da cláusula de barreira nas eleições tricolores. Qual a sua opinião sobre isso.

Sou a favor. Aliás, informação para os novos: tenho comigo – recebido do Ex-Presidente Renato Souza, poucos dias antes do falecimento dele -, a gravação de programa de TV no qual o Dr. Renato, o Conselheiro Antônio Carlos Azambuja e eu defendemos a proporcionalidade das eleições para o Conselho Deliberativo. Até já passei de fita VHS para DVD. Se a memória não me trai, a cláusula de barreira era de 15%. A emenda estatutária apresentada ao Conselho Deliberativo era visionária, mas, viu-se, ainda prematura. Ficou a semente.


- Qual o jogo do Grêmio que mais lhe marcou?

Tóquio: Grêmio 2 x Hamburgo 1. Grêmio Campeão do Mundo.


- Qual o melhor time do Grêmio que já viu jogar?

O time treinado pelo Luiz Felipe Scolari quando no auge.


- Qual seria o time do Grêmio de todos os tempos?

Mazaropi, Nelinho, Airton, De Leon , Everaldo, Dinho, Ronaldinho, Gessi, Renato, Juarez e Valdo

Não assisti ao lendário Lara jogar, daí a opção por Mazaropi deve-se a ter sido campeão da Libertadores e do Mundo, a opção por De Leon segue o mesmo critério e por Everaldo por ser até estrela na bandeira do Grêmio. Na meia-cancha, acomodei.


- Defina o Grêmio em uma palavra.

Paixão.


- Alguma manifestação final?

Tenho o desejo e a esperança de que, de uma vez por todas, o Grêmio implemente definitiva e concretamente a Gestão Estratégica que possibilitará crescimento auto-sustentável e a conquista, cada vez maior, de vitórias e títulos.



Antonio Carlos de Azambuja Disse:

FOI COM AGRADÁVEL SURPRESA QUE FIQUEI, HOJE, SABENDO QUE POSSUIS ESTE DOCUMENTO ( DVD). TANTAS VEZES VI, NO PLENÁRIO DO CONSELHO E NA MÍDIA, HEROIS TRICOLORES JACTAREM-SE DE SEREM OS PATRONOS DA REPRESENTAÇÃO PROPORCIONAL. NO GRÊMIO SÓ QUEM VIVEU AQUELES INESQUECÍVEIS DIAS DO OUTONO-INVERNO DE 1989, NA VELHA E SAUDOSA “CABANA DOS SANTOS” PODE TESTEMUNHAR A LUTA EM QUE NOS ENVOLVEMOS NESSE SENTIDO. TODOS OS QUE FREQUENTARAM AQUELAS REUNIÕES PREPARATÓRIAS PARA A CAMPANHA DAS ELEIÇÕES DO CONSELHO DAQUELE ANO, LIDERANÇA DOS INSÍGNES HÉLIO DOURADO, IRANY SANTANA E, SOBRETUDO, MESTRE RENATO SOUZA. TENHO NA MEMÓRIA DAQUELAS NOITES , TALVEZ, OS MEUS MELHORES MOMENTOS POLÍTICOS VIVIDOS NO CLUBE, DE MUITA DIALÉTICA, COM EPISÓDIOS INSÓLITOS, TEMAS INSTIGANTES, E SOBRETUDO, COISA QUE NÃO VI MAIS DEPOIS NOS EVENTOS ELEITORAIS QUE SE SUDERAM NESSES QUASE VINTE ANOS. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO. FUNDO, SUBSTÂNCIA CULTURAL, SERIDADE, ENFIM. JUSTAMENTE A TENTATIVA - TRESLOUCADA E VISIONÁRIA PARA A ÉPOCA - DE INCRUSTRARMOS NOS ESTATUTOS A REPRESENTAÇAO PROPORCIONAL. ERA NOSSA BANDEIRA, NOSSO TEMA DE FUNDO. A 25 DE JULHO DE 1989 CONSEGUÍAMOS, FINALMENTE, LEVAR AO CONSELHO O PROJETO, SUCUMBENTE PELAS RAZÕES QUE TODOS CONHECEMOS ( FALTA DE QUORUM DE VOTAÇÃO, EMBORA HOUVESSE O DE INSTALAÇÃO). DE QUALQUER FORMA, PREZADO AMIGO, ME CONGRATULO POR TERES GUARDADO ESSA RELÍQUIA, QUE MERECE SER ENTREGUE À EMA, NO MEMORIAL DO GRÊMIO, COMO UM DOCUMENTO DE INESTIMÁVEL VALOR PARA SUA HISTÓRIA INSTITUCIONAL, MENOS POR TERMOS NÓS PARTICIPADO DELA MAS PORQUE TRATOU-SE DA PRIMEIRA TENTATIVA DE CONQUISTA, PELOS ASSOCIADOS, DE EFETIVOS DIREITOS POLÍTICOS NO CLUBE.

PARABENS, PREISS.

CACAIO aZAMBUJA

reproduzido do blog www.sempreimortal.wordpress.com