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sábado, agosto 30, 2008

Dicas do Pires

1.

“concordo em gênero, número e caso” – e quem fala assim revela uma cultura bem acima do comum, mostrando que teve lá suas tintas em Grego ou em Latim, idiomas em que o caso (nominativo, acusativo, genitivo, etc.) também fazia parte do sistema de concordância. Esta é a forma recomendável para o falante de bom gosto;

(Nota: Moreno considera equívoco usar "grau" ao invés de "caso".)

2. Por exemplo: numa nota de rodapé, eu apresento a referência completa de um livro citado. Como a nota seguinte fala de outra obra do mesmo autor, eu posso substituí-lo por idem, que significa “o mesmo”. Se a nota depois desta falar da mesma obra, posso então usar simplesmente ibidem (“no mesmo lugar).

O uso de ibidem para reforçar o idem é Latim de estudante, de mesa de bar: “Quero um chope e dois pastéis”, dizia o primeiro; “Eu, idem!”, dizia o segundo; “Eu, ibidem”, dizia o terceiro – e, que eu me lembre, a gente ia grudando tantos idens e ibidens quantos fossem os convivas. Alguns, mais originais, chegavam a dizer “idem, idem”, “ibidem, ibidem” – mas éramos jovens, e o riso era franco.

cmoreno@terra.com.br

CLÁUDIO MORENO | Professor, doutor em Letras