Artigo publicado no site
www.gremiosempre.com.br02.11.08
Remunerados e Profissionais
O Grêmio sempre teve profissionais a serviço.
Para mencionar os principais: no futebol, um supervisor, Verardi, médicos e outros.
Na contabilidade, no marketing, no jurídico, nos sorteios, nas lojinhas etc. Uma folha de profissionais girando em torno de 150 a 300 empregados. ( 313 segundo o CP de hoje)
Mais recentemente, com a nova concepção de gestão estratégica, ganhou corpo a idéia de executivos profissionais para todas as áreas organizadas como "unidades de negócio".
Dois exemplos da tradição: o eterno Verardi não dava declarações à imprensa, não criticava nem elogiava dirigentes, passasse quem passasse pela presidência e pela vice-presidência de futebol, lá estava Antônio Carlos Ricci Verardi como fiel servidor do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. Nunca foi servidor de dirigentes. Nas poucas eleições com mais de uma chapa, Verardi não votava, para simbolizar que, no Grêmio, não tinha partido.
Clécio, o motorista da presidência, transferido o comando, era mudo quanto a qualquer episódio tivesse assistido no passado.
Puros exemplos de profissionalismo.
Algo mudou. Alguns remunerados estão tomando partido, elogiando dirigentes, seus chefes, omitindo fatos relevantes do que resulta o falseamento da verdade histórica, usando próprios do Clube para apoiar chapa e atuando para atrapalhar a contrária.
Pretendemos debater tal comportamento. Pelo menos, iniciar o debate.
Nada melhor do que um exemplo, caso concreto. Entrevista dada pelo gerente de planejamento Cristiano Koehler ao jornal Jornal Gazeta do Sul, de Santa Cruz do Sul, publicado na edição de 16 de Fevereiro de 2008, reproduzida pelo
www.gremio1983.blogspot.com, em 19 de julho de 2008:
Disse Cristiano:
Cristiano Koehler – Diante de um modelo de gestão ultrapassado de uma dívida expressiva e da transformação do futebol enquanto negócio a reformulação era indispensável vital. O Grêmio entendeu que a melhor forma de avançar para o futuro com vitórias e com vantagem competitiva num mercado de concorrência implacável utilizando as potencialidades do clube seria mediante a mudança de mentalidade e a estruturação de um novo modelo gestão. Nesse sentido houve alteração estatutária com a formatação de um Conselho de Administração – presidente e vices-presidentes – eleito e uma Diretoria Executiva profissional contradada – nas áreas de Futebol Planejamento e Controle Administrativa Financeira Marketing e Jurídica – além da concepção de um Planejamento Estratégico com objetivos e estratégias sustentado por um Sistema de Gestão pela Qualidade Total e por ferramentas modernas de gestão.
Com a adoção de um sistema moderno de gestão o Grêmio tem mais alternativas para superar as dificuldades financeiras e com isso investir no futebol e obter melhores resultados de campo compatibilizando performance técnica e caixa equilibrado.
A implementação do atual plano de gestão teve o respaldo principalmente do presidente Paulo Odone e dos vices-presidentes membros do Conselho de Administração. É importante salientar que o processo está em curso no qual a palavra-chave é continuidade.
Destaque 01:Nesse sentido houve alteração estatutária com a formatação de um Conselho de Administração – presidente e vices-presidentes – eleito e uma Diretoria Executiva profissional contradada – nas áreas de Futebol Planejamento e Controle Administrativa Financeira Marketing e Jurídica – além da concepção de um Planejamento Estratégico com objetivos e estratégias sustentado por um Sistema de Gestão pela Qualidade Total e por ferramentas modernas de gestão.
Será que o gerente da área - presumivelmente um especialista - confunde mesmo a ordem cronológica e a relação de causa e efeito?
Ordem cronológica:1. Tudo começou com um Planejamento Estratégico com objetivos e estratégias sustentado por um Sistema de Gestão pela Qualidade Total e por ferramentas modernas de gestão.
Esse trabalho foi realizado nos anos de 2003/2004, com o Plano Estratégico aprovado pelo Conselho Deliberativo em 10 de Setembro de 2004, fatos fundamentais sequer mencionados na entrevista.
2. Já aprovado o Plano Estratégico, no final de 2004 procedeu-se a uma reforma estatutária, convocada pelo então Presidente do CD, Mauro Knijnik, na qual foi: a) introduzida a obrigatoriedade do Planejamento Estratégico; b) definida a competência do Conselho Deliberativo para aprovar o Plano Estratégico; c) criada a Comissão de Acompanhamento do Planejamento Estratégico; d) definida a obrigatoriedade de uma gestão profissional.
Causa e efeito: óbviamente a fonte de tudo foi o Planejamento Estratégico, que é global, amplo, continente, dele resultando, como efeitos, como conseqüências asseguradores de continuidade, as normas incluídas no estatuto do Clube.
Ressalte-se, ademais, que o Plano Estratégico elaborado em 2003/2004, com alcance até 2008, foi classificado pelo consultor Claus Süffert como consistente, de qualidade acima da média.
Destaque 02:A implementação do atual plano de gestão teve o respaldo principalmente do presidente Paulo Odone e dos vices-presidentes membros do Conselho de Administração. É importante salientar que o processo está em curso no qual a palavra-chave é continuidade.
Todos lembram que na campanha eleitoral, Paulo Odone desfez o Planejamento Estratégico chamando de os "quadradinhos do Preis".
Tendo assumido a Presidência, levou alguns meses até ser convencido ou se convencer da importância do Planejamento.
Justiça se faça, também, que, em momentos posteriores, perante o Conselho Deliberativo, Paulo Odone declarou essa importância, disse entre outras afirmativas que entregaria as chaves do Clube se o Conselho não apoiasse levar o Planejamento Estratégico às últimas conseqüências, que os "quadradinhos" salvaram o Grêmio e que o Projeto Arena já estava no Plano Estratégico.
Nessas contramarchas e marchas, reconhece-se, a postura do Presidente de adesão à idéia foi fundamental para que parassem ou, pelo menos, diminuissem as contestações obscurantistas e reacionárias.
Mas não é a posição do Presidente que se está a examinar. A menção serve, apenas, como subsídio à análise ora proposta.
Nesse cenário de cronologia, de relação de causa e efeito, é lícito a um profissional fazer de conta que nada aconteceu antes de Paulo Odone e atribuir ao Presidente do momento o início da criação? Como se, na lembrança bíblica, "no princípio era o caos , só trevas, escuridão, e, aí, fez-se a luz"? No mínimo, há uma omissão inaceitável quanto a todo o trabalho realizado nos anos de 2003/2004, princípio, fonte de tudo o que aconteceu na área de gestão. Mais inaceitável, ainda, porque foi um trabalho institucional, aberto a todas as correntes políticas do Clube, com ampla e numerosa participação de profissionais , conselheiros e associados. Só não participou quem não quis e só um único isolado voto não foi a favor.
Com a consolidação crescente dos executivos profissionais - a expressão "diretoria" está banida por razões legais - ganha importância decisiva o aprendizado da distinção entre o simplesmente remunerado, servidor de uma gestão ou de uma pessoa, e o profissional, a serviço do Clube, sem chapas, sem partidos.
Somente com PROFISSIONAIS, o Grêmio obterá continuidade de gestão e alcançará a estabilidade indispensável.
Adalberto Preis