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sexta-feira, novembro 27, 2009

Falácias em pauta

Domingo, Maio 06, 2007

Relembrando: publicado em 09/11/2006









A FALÁCIA DE PERGUNTA COMPLEXA
Mano Menezes é, dentre os treinadores de futebol, um dos que melhor se tem saído nas entrevistas. Enfrenta com respeito, mas sem subserviência os questionamentos às vezes ardilosos. Um dos mais capciosos é o da "pergunta complexa".Geralmente, a melhor compreensão vem de exemplos extremos.
"Você abandonou os seus maus hábitos"? "Você deixou de bater em sua esposa"?
Como se vê, impossível responder com um simples "sim" ou "não". Qualquer dessas respostas seria inadequada. Faça o teste. Na pergunta complexa, há sempre a pressuposição de que se tenha respondido a uma pergunta antes que, agora, não foi feita.
São perguntas ardilosas formuladas freqüentemente em entrevistas, em especial nas coletivas pós-jogo.
Quantas vezes uma resposta inadequada a uma pergunta complexa já serviu como a gota dágua para derrubar protagonistas dos clubes?(base de consulta: Copi)
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Com atraso de 07 meses, programa de tv, hoje, reconheceu a qualidade do Mano Menezes aqui apontada.

Domingo, Março 18, 2007

A falácia da pergunta complexa

Outra forma de apresentação da falácia da pergunta complexa:

Questão Complexa / Falácia de Interrogação / Falácia da Pressuposição
É a forma interrogativa de pressupor uma resposta. Um exemplo clássico é a pergunta capciosa:
“Você parou de bater em sua esposa?”
A questão pressupõe uma resposta definida a outra questão que não chegou a ser feita. Esse truque é bastante usado por advogados durante o interrogatório, quando fazem perguntas do tipo:
“Onde você escondeu o dinheiro que roubou?”
Similarmente, políticos também usam perguntas capciosas como:
“Até quando será permitida a intromissão dos EUA em nossos assuntos?”
“O Chanceller planeja continuar essa privatização ruinosa por dois anos ou mais?”
Outra forma dessa falácia é pedir a explicação de algo falso ou que ainda não foi discutido.

Matthew, traduzido por André Cancian

A falácia do critério pessoal

Ouve-se, com frequência, a afirmação de que a marcação de tal ou qual falta depende do critério individual do árbitro.
Grande falácia. Seria a subjetivação da arbitragem. A criação de regra pelo árbitro.
A regra é uma só para todos. A interpretação deve ser uma só para todos. A falibilidade humana é que - como fraqueza, não como fortaleza - estabelece margem de subjetividade, o tal do critério subjetivo.
Voltaremos!

Domingo, Janeiro 07, 2007

FALÁCIA DA PERGUNTA COMPLEXA

A enquete da TV Pampa, hoje, é/foi um exemplo típico de falácia da pergunta complexa (ver matérias anteriores deste blog).
A pergunta parte de uma afirmativa falsa como se fosse verdadeira. Conseqüentemente a pergunta não tem nenhum sentido.
A falsidade foi um desrespeito à torcida gremista.

Quinta-feira, Novembro 09, 2006

Sabes o que é uma FALÁCIA?

Recorramos ao ensinamento de IRVING COPI:
Uma falácia...é um tipo de raciocínio incorreto. ...Alguns argumentos, é claro, são tão obviamente incorretos que a ninguém enganam. No estudo da lógica é costume reservar o nome da "falácia" àqueles argumentos ou raciocínios que, embora incorretos, podem ser psicologicamente persuasivos. Portanto, definimos falácia como uma forma de raciocínio que parece correta, mas que, examinada cuidadosamente não o é.


É um tema essencial para todos os que não gostam de ser iludidos em qualquer campo da atividade humana em especial no populismo futebolístico.

quinta-feira, junho 28, 2007

Falácia - inexpressivo - falso - ataque à pessoa


Falácia
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Uma falácia ou mentira é um argumento logicamente inconsistente, inválido, ou que falhe de outro modo no suporte eficaz do que pretende provar. Argumentos que se destinam à
persuasão podem parecer convincentes para grande parte do público apesar de conterem falácias, mas não deixam de ser falsos por causa disso. Reconhecer as falácias é por vezes difícil.
É importante conhecer os tipos de falácia para evitar armadilhas lógicas na própria argumentação e para analisar a argumentação alheia.
Dentre as falácias, muito frequente é o "argumentum ad hominem" assim explicado pela Wikipédia:
Argumentum ad hominem (Ataque ao argumentador):
Em vez de o argumentador provar a falsidade do enunciado, ele ataca a pessoa que fez o enunciado.
Ex: "A afirmação de Joãozinho é falsa, pois ele é um sujeito mal-educado".
Da mesma forma, dizer que Joãozinho é inexpressivo e que, portanto, o parecer dele é errado é uma falácia de ataque ao argumentador.

Nos dizeres da Wikipédia e de toda a literatura da lógica estaremos diante de uma mentira, de um argumento logicamente inconsistente, inválido, falso. Independentemente de Joãzinho ser inexpressivo ou não. A notoriedade dele não melhora nem piora o parecer. Mas atacá-lo ao invés de analisar o parecer, é clássica FALÁCIA.


Para os interessados, um pouco mais sobre a falácia "ad hominem"

Argumentum ad hominem
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Um Argumentum ad hominem (
Latim, argumento contra a pessoa) é uma falácia, ou erro de raciocínio, identificada quando alguém responde a algum argumento com uma crítica a quem fez o argumento. Ou seja, não se questiona o argumento, mas sim quem o fez.
A forma básica de um Argumentum ad hominem é a seguinte:
A considera B verdadeiro;
A possui ou é algo criticável;
então B é falso.
Claramente, B não deixa de ser verdadeiro ou falso dependendo das pessoas que o consideram verdadeiro.
O argumentum ad hominem é uma forte arma
retórica, apesar de não possuir bases lógicas.
O ataque à pessoa trata-se de um ataque direto a pessoa contra quem se argumenta, colocando em dúvida suas circunstâncias pessoais, seu caráter ou sua confiabilidade. Há três tipos de ataques ad hominem que são normalmente relacionados a falácias:
Argumento ad hominem abusivo: é o ataque direto a pessoa, colocando seu caráter em dúvida e portanto, a validade de sua argumentação.Exemplo:
“As afirmações de Richard Nixon a respeito da política de relações externas em relação à China não são confiáveis pois ele foi forçado a abdicar durante o escândalo de Watergate.”
Argumento ad hominem circunstancial: é o ataque que atinge a circunstante do adversário em um debate. O fato de se tratar de uma pessoa que esta sofrendo, no momento, de uma forte raiva, pode ser usado para esse tipo de ataque. Exemplo:
A: Foi este o homem que vi roubando aquele carro! B: Como pode afirmar isso sendo você um conhecido bêbado?
Argumento “poço envenenado”: coloca em foco a validade do argumento, e a imparcialidade do adversário, sugerindo que o último tem algo a ganhar com a defesa daquele ponto de vista. Exemplo:
A: Fumar não causa nenhum tipo de mal. B: Você é dono de uma grande empresa de cigarros, é claro que dirá isso!

domingo, março 18, 2007

A falácia da pergunta complexa

Outra forma de apresentação da falácia da pergunta complexa:

Questão Complexa / Falácia de Interrogação / Falácia da Pressuposição
É a forma interrogativa de pressupor uma resposta. Um exemplo clássico é a pergunta capciosa:
“Você parou de bater em sua esposa?”
A questão pressupõe uma resposta definida a outra questão que não chegou a ser feita. Esse truque é bastante usado por advogados durante o interrogatório, quando fazem perguntas do tipo:
“Onde você escondeu o dinheiro que roubou?”
Similarmente, políticos também usam perguntas capciosas como:
“Até quando será permitida a intromissão dos EUA em nossos assuntos?”
“O Chanceller planeja continuar essa privatização ruinosa por dois anos ou mais?”
Outra forma dessa falácia é pedir a explicação de algo falso ou que ainda não foi discutido.

Matthew, traduzido por André Cancian

quinta-feira, novembro 09, 2006

Sabes o que é uma FALÁCIA?

Recorramos ao ensinamento de IRVING COPI:
Uma falácia...é um tipo de raciocínio incorreto. ...Alguns argumentos, é claro, são tão obviamente incorretos que a ninguém enganam. No estudo da lógica é costume reservar o nome da "falácia" àqueles argumentos ou raciocínios que, embora incorretos, podem ser psicologicamente persuasivos. Portanto, definimos falácia como uma forma de raciocínio que parece correta, mas que, examinada cuidadosamente não o é.


É um tema essencial para todos os que não gostam de ser iludidos em qualquer campo da atividade humana em especial no populismo futebolístico.

domingo, março 18, 2007

A falácia do critério pessoal

Ouve-se, com frequência, a afirmação de que a marcação de tal ou qual falta depende do critério individual do árbitro.
Grande falácia. Seria a subjetivação da arbitragem. A criação de regra pelo árbitro.
A regra é uma só para todos. A interpretação deve ser uma só para todos. A falibilidade humana é que - como fraqueza, não como fortaleza - estabelece margem de subjetividade, o tal do critério subjetivo.
Voltaremos!

domingo, janeiro 07, 2007

FALÁCIA DA PERGUNTA COMPLEXA

A enquete da TV Pampa, hoje, é/foi um exemplo típico de falácia da pergunta complexa (ver matérias anteriores deste blog).
A pergunta parte de uma afirmativa falsa como se fosse verdadeira. Conseqüentemente a pergunta não tem nenhum sentido.
A falsidade foi um desrespeito à torcida gremista.

domingo, maio 06, 2007

Relembrando: publicado em 09/11/2006









A FALÁCIA DE PERGUNTA COMPLEXA
Mano Menezes é, dentre os treinadores de futebol, um dos que melhor se tem saído nas entrevistas. Enfrenta com respeito, mas sem subserviência os questionamentos às vezes ardilosos. Um dos mais capciosos é o da "pergunta complexa".Geralmente, a melhor compreensão vem de exemplos extremos.
"Você abandonou os seus maus hábitos"? "Você deixou de bater em sua esposa"?
Como se vê, impossível responder com um simples "sim" ou "não". Qualquer dessas respostas seria inadequada. Faça o teste. Na pergunta complexa, há sempre a pressuposição de que se tenha respondido a uma pergunta antes que, agora, não foi feita.
São perguntas ardilosas formuladas freqüentemente em entrevistas, em especial nas coletivas pós-jogo.
Quantas vezes uma resposta inadequada a uma pergunta complexa já serviu como a gota dágua para derrubar protagonistas dos clubes?(base de consulta: Copi)
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Com atraso de 07 meses, programa de tv, hoje, reconheceu a qualidade do Mano Menezes aqui apontada.

domingo, novembro 30, 2008

QUEM? WHO? QUIÉN? QUI? CHI? WER?

Muitas pessoas têm verdadeiro fascínio por saber QUEM (?). Quem fez isso, Quem fez aquilo, Quem disse, Quem escreveu?
Na verdade, só é relevante saber QUEM (?): 1) quando há ilícito; 2) quando, para tomar uma decisão, é mais importante saber QUEM deu do que o conteúdo da opinião (!).

Em todas as outras hipóteses, o que importa é o conteúdo do que é dito e completamente irrelevante quem disse.
Freqüentemente, opiniões que transitam com ampla aceitação, se estivessem carimbadas com a autoria, tanto para o lado positivo quanto para o negativo, sofreriam a clássica falácia "ad personam".
Por isso, não publicamos nada ilícito e damos total prioridade ao conteúdo das matérias sem maiores preocupações com autorias.

domingo, dezembro 07, 2008

Campeão do e no apito

Não foi merecido o campeonato do São Paulo. Foi um título conquistado na base dos erros de arbitragem.
Segundo o levantamento do Globo Esporte, não fossem os erros de arbitragem, o São Paulo, na metade do segundo turno, deveria ter 06 pontos menos na tabela. Depois disso, ainda, foi favorecido com a não marcação de pênalti indiscutível no jogo contra o Fluminense.

Coroamento com a vitória de hoje com um gol em impedimento de dois metros.
UM ESCÂNDALO!
UMA VERGONHA!
Não me venham com a falácia de que a arbitragem erra para os dois lados. Existem alguns lados a favor dos quais ela sempre erra muito mais. Sempre. O campeonato do São Paulo é o melhor exemplo.

NÃO FOI MERECIDO! Foi roubado! No apito!

sábado, junho 13, 2009

As respostas aos questionamentos da Arena



A transparência é compromisso da gestão da Grêmio Empreendimentos e estamos dispostos a responder a todos os legítimos questionamentos.'
Adalberto Preis Presidente da Grêmio Empreendimentos


CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, DOMINGO, 14 DE JUNHO DE 2009

A Arena passada a limpo

Durante a semana, o Correio do Povo publicou uma série de questões referentes à Arena, futuro estádio do Grêmio. Todas as questões são respondidas, neste domingo, pelo presidente da Grêmio Empreendimentos, Adalberto Preis. Uma novidade: a área do terreno da Arena, que seria de 4,9 hectares no Humaitá, bem menor do que no Olímpico (8,5 hectares), passa a ser um lote individualizado com uma área de 8,9 hectares, um pouco maior, inclusive, do que a área do Olímpico.

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, DOMINGO, 14 DE JUNHO DE 2009

As respostas de Preis

Adalberto Preis já atuou em quase todos os departamentos do Grêmio e hoje é o presidente da Grêmio Empreendimentos, onde ele e seus pares trabalham sem remuneração. Para quem ainda sonha com a arena sendo construída na área onde fica hoje o estádio Olímpico, Preis diz que os 'contratos foram celebrados em caráter irrevogável e irretratável'.

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, DOMINGO, 14 DE JUNHO DE 2009

Terreno maior

A arena do Grêmio seria construída num terreno de 4,9 hectares no Humaitá, bem menos do que o terreno do Olímpico, de 8,5 hectares. O projeto sofreu modificação e a área foi ampliada para 8,9 hectares. Segundo Preis, não há plano B. A arena sairá no Humaitá.


CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, DOMINGO, 14 DE JUNHO DE 2009

‘Os direitos da publicidade de campo na arena pertencem ao Grêmio’

Durante cinco dias seguidos, o Correio do Povo publicou questões referentes à arena, o novo estádio do Grêmio. São questões polêmicas e que estão alimentando uma série de debates, muitos com a participação do presidente da Grêmio Empreendimentos, Adalberto Preis. O texto abaixo é de Adalberto Preis, que fez questão de responder a todas as perguntas. Para ele, 'a transparência é compromisso da gestão da Grêmio Empreendimentos'.

Antes das respostas, enfatizo que a transparência é compromisso da gestão da Grêmio Empreendimentos e que estamos dispostos a responder a todos os legítimos questionamentos da torcida gremista. Atendi a todos os convites recebidos de torcedores e associados nas últimas semanas, tendo realizado com eles diversos encontros, dentro e fora do Grêmio, nos quais houve liberdade total para perguntas, sugestões e críticas. No Grêmio, já participei em duas oportunidades, do Sábado do Associado, respondendo a todos os questionamentos, dúvidas e curiosidades. Não me cabe, porém, responder às perguntas de competência exclusiva do presidente do Grêmio.

Houve avaliação da área do Olímpico? Com o projeto de alargamento da vila Tronco até as margens do Guaíba esta área será valorizada.

A área do Olímpico vem sendo historicamente avaliada e reavaliada com pareceres técnicos para fins contábeis devidamente auditados. Pela informação constante de documentos do processamento do Projeto Arena, para o caso específico, foram obtidas avaliações informais da Construtora Goldsztein e da Imobiliária Lopes Dirani. Valor patrimonial de mercado, estático e contemporâneo. Os detalhes constam do parecer da Comissão de Patrimônio do Conselho Deliberativo. Complemento afirmando que o Grêmio, com a arena, vai receber maior valor patrimonial imobiliário e valor financeiro somados do que vai transferir. Mas, também, não vai receber nada gratuitamente, pois complementará o pagamento com ações e uso da marca Grêmio. Pelo reconhecimento de que ser parceiro do Grêmio, por si só tem um enorme valor, mercadológico e patrimonial.

Como o Grêmio vai retirar os gravames do Olímpico? Se o Grêmio não retirar os gravames em três anos (estipulado em contrato), o que acontece? Estes gravames serão pagos com os futuros direitos de televisão?

Existe um documento chamado 'cronograma de desoneração' mediante o qual, em três etapas anuais, até o ano de 2011, o Grêmio se obriga a desonerar os vários lotes que compõem o complexo Estádio Olímpico. Esse cronograma é de execução do clube e não da Grêmio Empreendimentos e, pelas informações que recebi, está em dia. Em garantia, foi concedida uma cessão fiduciária dos créditos da transmissão de TV. Estando em dia o cronograma, os valores serão liberados normalmente. Somente se o cronograma de desoneração não estiver sendo cumprido é que a parceira poderá usar recursos para atendimento do cronograma, mas sempre, e tão somente, para cumprimento de obrigações do Grêmio.


Por que o Grêmio não terá retorno financeiro com o entorno da arena?

Não há previsão contratual de participação do Grêmio no entorno da arena. O Grêmio, nas condições contratuais, receberá a arena com todas as respectivas dependências.


Por que o Banco Santander receberá 20% para intermediar o negócio?

O Banco Santander nada receberá do Grêmio.

Qual a função da Grêmio Empreendimentos?

A criação da Grêmio Empreendimentos é obrigação contratual para cumprir determinadas finalidades. Exercerá os direitos do Grêmio relativos à participação na gestão da arena. Atuará no acompanhamento e na fiscalização das obras. No funcionamento da arena, participará da cogestão mediante indicação de conselheiros para a Empresa Gestora. Participará do planejamento estratégico, dos planos anuais e dos orçamentos anuais dessa sociedade de propósito específico. Enfim, representará os interesses do Grêmio para serem geridos de forma técnica e profissional. Essa será a atuação mínima da Grêmio Empreendimentos. Poderá ter atividade mais ampla em atividades afins e conexas, matéria a ser definida na revisão do plano estratégico do clube previsto para o segundo semestre deste ano. Na ocasião, prevê-se, também, a elaboração de plano estratégico para a Grêmio Empreendimentos. Destaco ter passado a época dos 'achismos', do 'tive uma ideia genial' fora do contexto, dos movimentos desalinhados ou até contraditórios. Impõe-se uma visão sistêmica com a sinergia voltada para a realização dos objetivos prioritários alinhados à missão da Instituição. Enfim, com o uso de metodologia e de operação rigorosamente profissionais. Tão científicas quanto possível.

Qual a finalidade deste Conselho de Administração?

Competirá ao Conselho de Administração dispor sobre as matérias de que trata o artigo 142 da lei nO 6.404/76, a saber:
I – Fixar a orientação geral dos negócios da companhia; II – Eleger e destituir os diretores da companhia e fixar-lhes as atribuições, observado o que a respeito dispuser o estatuto; III – Fiscalizar a gestão dos diretores, examinar, a qualquer tempo, os livros e papéis da companhia, solicitar informações sobre contratos celebrados ou em via de celebração, e quaisquer outros atos; IV – Convocar a assembleia geral quando julgar conveniente, ou no caso do artigo 132; V – Manifestar-se sobre o relatório da administração e as contas da diretoria; VI – Manifestar-se previamente sobre atos ou contratos, quando o estatuto assim o exigir; VII – Deliberar, quando autorizado pelo estatuto, sobre a emissão de ações ou de bônus de subscrição; VIII – Autorizar, se o estatuto não dispuser em contrário, a alienação de bens do ativo permanente, a constituição de ônus reais e a prestação de garantias a obrigações de terceiros; IX – Escolher e destituir os auditores independentes.

Qual a relação hierárquica entre a direção do Grêmio e a direção da Grêmio Empreendimentos?
A Grêmio Empreendimentos será controlada pelo Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense.


A Grêmio Empreendimentos existirá após a conclusão da arena?

Existirá. Com as funções antes mencionadas e as que o Grêmio clube decidir segundo o planejamento estratégico a ser revisado (clube) e elaborado (GE) no presente ano de 2009.


Juridicamente, uma empresa sem fins lucrativos (Grêmio) pode ser sócia de uma empresa com fins comerciais? O Grêmio perderá os benefícios fiscais?

Quando elaborado o plano estratégico do Grêmio (2003/2004), aprovado pelo Conselho Deliberativo (set./2004), previu-se a criação de empresas, pelo Grêmio, para atuação profissional no mercado, com abrangência ampla, sem prejuízo de especialização. Consequência dessa visão estratégica, na reforma do estatuto do Grêmio, ocorrida no final de 2004, foram incluídos o parágrafo único do artigo 2º prevendo a constituição pelo Grêmio ou a participação dele em associações ou sociedades e o artigo 65, XXV, que atribuiu ao Conselho Deliberativo a competência para autorizar. Tanto que muita gente se surpreendeu que não foi necessária uma emenda específica ao estatuto para autorizar a criação da Grêmio Empreendimentos. A autorização já havia sido incluída antecipadamente de forma genérica por essa visão estratégica dos nossos legisladores. O clube continua e continuará uma associação sem fins lucrativos. No Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense não há distribuição de lucros. Todos os recursos auferidos são destinados ao cumprimento das finalidades da Associação. Os conselheiros e diretores não são remunerados.


Por que a arena terá apenas 52.398 lugares se o Grêmio buscava o crescimento do seu quadro social? O espaço destinado à avalanche (9.488 lugares) em pé, é permitido pela Fifa?

O 'apenas' fica por conta de ideia / desejo que todos nós, como
torcedores, temos. Os técnicos que projetaram a capacidade levando em consideração a média passada de público, a projeção futura mediante simulações e a relação custo da obra benefício de retorno não consideraram que fosse 'apenas'. A capacidade, assim, baseou-se em critérios técnicos a fim de garantir o equilíbrio econômico-financeiro da obra e do futuro estádio. Ademais, esse número de lugares está baseado no modelo em que o estádio está, totalmente dotado de cadeiras. Somente exigidas para jogos promovidos pela Fifa. Nas outras partidas, nesse raciocínio, a capacidade poderá ser superior a 60 mil lugares. Percebe-se aqui, como a todo momento, no dia a dia, o dilema: seguir uma orientação amadora (nos melhores e nos piores significados da expressão) ou uma orientação profissional especializada?

Qual será o tratamento dado ao sócio patrimonial do clube? Este sócio patrimonial não deveria ser consultado?

Quanto à consulta, estatutariamente não havia exigência porque todas essas competências são do Conselho Deliberativo. Referente ao tratamento do associado, impõe-se que venha a ser o melhor, por razões óbvias. Já a política de sócios é de exclusiva atribuição e responsabilidade do clube por seus órgãos estatutários. A Grêmio Empreendimentos, nesse particular, será executora da política do clube e trabalhará em conjunto para que seja harmonizada a satisfação do associado com a busca dos melhores resultados para o empreendimento. Com a Grêmio Empreendimentos estruturada com profissionais altamente capacitados, é de prever-se que o Clube venha a ser subsidiado com dados e informações para a tomada de decisões. O Grêmio não pode errar na política de associados, devendo buscar harmonia entre as questões legais e as econômico-financeiras.


Os sócios pagarão ingressos para a OAS ou a vinculação do sócio será apenas com o Grêmio? As mensalidades sociais terão seus valores majorados? O Grêmio terá que bancar a diferença do ingresso do sócio à OAS? Público brasileiro, média: 24.144; público brasileiro estipulado arena: 32.503; o Grêmio vai ter que reembolsar a OAS pelo direito dos sócios (diferença de preço ingresso/mensalidade social)? Se o Grêmio receber um 'bônus' de R$ 3 milhões por ano para descontar com sócios, mesmo assim, o clube terá que reembolsar
a OAS?

As perguntas contêm afirmativas verdadeiras e equivocadas. Na falta de espaço para detalhamento, exponho o que está contratado sem aceitar comprometimento com nenhuma das múltiplas afirmativas das questões. Até para não derrapar na falácia da pergunta complexa. Então: ninguém ingressará gratuitamente na arena. Para assistir aos jogos ou a outros espetáculos, todos têm de pagar o preço do respectivo ingresso, conforme acordado na política de preços em vigor ou, mediante acordo prévio com o Grêmio, tenha o valor do ingresso reembolsado pelo Grêmio à superficiária/gestora do estádio. O Grêmio poderá conceder descontos especiais desde que reembolse à superficiária o valor equivalente ao desconto ofertado sobre o preço acordado na política de preços em vigor. O plano anual deverá conter previsão sobre os limites de concessão de tais descontos e sobre a forma de seu reembolso, que deverá se dar mediante compensação com o valor mensal do preço fixo a ser pago ao Grêmio no mês imediatamente posterior ao da concessão do desconto. O valor dos ingressos será fixado em cada plano anual.


Estacionamento terá 7.853 vagas, sendo apenas 300 do Grêmio, 400 vagas a menos que atualmente?


O Grêmio terá 314 vagas para uso exclusivo, independentes da política de locação da gestão do estádio. Nas demais vagas haverá as que são obrigação mínima (5.100), distribuídas entre arena, shopping center, hotel e centro de convenções. Pela alteração do lay-out, esse número poderá chegar a 6 mil ou até a mais. Esse tema está em estudos e em debate com os órgãos técnicos da prefeitura. A exigência da Fifa é de 7 mil vagas até 1.500 metros do estádio, incluindo-se vagas nas ruas. Nessa distância da arena, e por esse critério, calcula-se a existência de cerca de 10 mil vagas.


Há alguma cláusula de manutenção da arena?
Sim. Esta e tantas outras questões podem ser respondidas de forma extremamente simples: o orçamento anual da empresa gestora terá de ser aprovado pelo Grêmio. No caso específico, ainda há cláusula prescrevendo que, no final dos 20 anos, quando o Grêmio receberá a propriedade plena, concomitante à extinção do direito de superfície, a arena terá de ser entregue em perfeito estado, salvo os desgastes naturais.
Um ano antes de expirado o prazo de superfície, a superficiária deverá encomendar a realização de um laudo de avaliação das condições da arena para apresentar ao Grêmio, que deverá indicar as medidas eventualmente necessárias para deixar as instalações da arena em perfeitas condições de uso, ressalvado o seu desgaste natural. O Grêmio participará, também, da elaboração do planejamento anual, no qual serão previstas as recuperações necessárias para manter a arena, sempre, em perfeitas condições.

Se a OAS falir. Qual a garantia que o Grêmio tem em relação à arena?
Dever-se-ia perguntar que garantia o Grêmio tem em relação ao estádio Olímpico. Se ocorrerem problemas quanto à conclusão das obras da arena e o seguro de 'performance bond' não for suficiente, o Grêmio, simplesmente, não entrega a área do estádio Olímpico. E, adicionalmente, ficará comprometida toda a implementação do megaprojeto. Se o fato perguntado ocorrer após a entrega do estádio, simplesmente não terá nenhum efeito na gestão da arena a não ser que o controle da sociedade gestora passaria a ser da massa falida sob supervisão judicial. A hipótese é remota, mas não há nenhum impedimento de ser analisada ainda que em termos teóricos. Há outra hipótese, na qual, se houver um determinado atraso, poderá ser afastada a superficiária e contratada a conclusão com outrem. O importante, no caso, é que todas as precauções foram tomadas para que o empreendimento tenha sucesso.

Se a OAS não cumprir os prazos de conclusão da obra, há alguma multa contratual, alguma penalização? Há previsão de multas e até de rescisão. Se um funcionário da OAS morrer na construção da arena ou entrar na Justiça, o Grêmio tem resguardo jurídico ou entra como coparticipante?
Toda a responsabilidade é da superficiária. Haverá, também, obrigatoriamente, seguros. Além do 'performance bond', para garantir a continuação da obra, serão contratados os seguros com cobertura para acidentes de trabalho, riscos de engenharia e responsabilidade civil cruzada.
O Grêmio entrega a área do Olímpico com o estádio em pé, ou o ônus da demolição é do Grêmio?
O Grêmio não terá nenhum tipo de ônus ou de responsabilidade pela demolição do estádio Olímpico.

Se houver um show (receita da OAS) e, por algum motivo, uma pessoa morrer ou danificarem o estádio, o Grêmio participa das despesas?

Não. A responsabilidade será da gestora que, certamente, terá os adequados seguros, como terá no curso da obra.

O Grêmio pode usar o campo para treinar?

Observo nos contratos normas sobre o direito/obrigação de realizar os jogos na arena, mas nada sobre treinamentos, o que não exclui a possibilidade de serem agregadas disposições nesse sentido. O ponto, contudo, é secundário, pois projeto para que o clube não venha a necessitar desse campo para treinamentos.


A prioridade é do Grêmio ou dos shows? Ex. Show Madona (há uma antecipação na agenda de um ano).

O Grêmio tem o direito/obrigação de jogar na Arena. Tem, portanto, prioridade absoluta. O planejamento restante será também discriminado no plano anual no qual o Grêmio terá influência decisiva. A prioridade está expressa no contrato da seguinte forma:
A realização de partidas de futebol do Grêmio contempladas no calendário terão prioridade sobre outros eventos na utilização da arena.

Se o Grêmio perder o mando de campo, pagará multa para a OAS?

Se qualquer parte tiver culpa na transferência de jogo que deveria ser na arena, e não puder ser, terá de indenizar a outra parte nos termos previstos no contrato. Vale para os dois lados. De parte do Grêmio, a compensação seria à superficiária/gestora da arena, em cujo resultado o Grêmio tem participação com parte fixa e parte variável. Não seria para a OAS.

O Grêmio é obrigado a jogar um número mínimo de partidas na arena por ano, ou tem a liberdade de transferir um mando de campo como fez no Gre-Nal de Erechim?

Jogará na arena as partidas oficiais e amistosas, excetuando-se as amistosas a serem disputadas no estádio do adversário. Se, por conveniência, por vantagem econômica a superficiária e o Grêmio concordem que a realização de partidas não oficiais em local diverso da Arena seja mais vantajosa financeiramente em face da receita projetada com a realização das mesmas partidas na arena, poderá o Grêmio realizar tais partidas em local diverso da arena. Em tal caso, caberá à superficiária a totalidade das receitas da partida que lhe caberiam caso esta tivesse sido realizada na arena.

A publicidade interna da arena é administrada pela OAS? Um exemplo: o Internacional pode expor o seu site atrás do gol pagando mais à OAS ou o Grêmio terá poder de veto?

Os direitos de transmissão dos jogos, da publicidade de campo e de patrocínio da equipe pertencem ao Grêmio.

Por que o espaço do Memorial será de 680 m2 se hoje temos um Memorial com área de 850 m2 e troféus sem poder expor por falta de espaço?

O Memorial é um espaço de orgulho da nação gremista, representação de toda a nossa história, podendo ser até ampliado na arena com a disposição que o Grêmio terá de área para suas atividades.

Pode ser colocada energia solar no estádio? O clube economizaria não tendo esta despesa, podendo inclusive vender esta energia caso a legislação permita.

A Arena, por ser um empreendimento moderno, buscará valorizar ações ecológicas, o que pode incluir esta e outras ações que a tornem um estádio exemplar do ponto de vista ambiental.


Toda a receita de marketing é dividida com a OAS?

Peço desculpas para dizer que 'receita de marketing' é algo extremamente vago. Até porque, no correto conceito de marketing, os imediatos e principais resultados são imateriais, impalpáveis, relativos à imagem e à agregação de valor à marca no relacionamento com o cliente. A receita financeira é consequência não necessariamente vinculada ao setor de marketing de uma instituição. Aliás, corretamente, nem deveria ser. É que se confunde muito marketing com comercialização. Creio que fica muito claro dizer que as seguintes receitas continuam exclusivas do clube: transferência de atletas, quadro social, anúncios na camisa, patrocínio de material esportivo, transmissão de jogos, publicidade de campo. As receitas da empresa superficiária/gestora serão as de bilheteria, locações do estádio, restaurantes, quiosques, camarotes, cadeiras naming rights, enfim, as que digam respeito à arena propriamente dita. Dessas últimas sairão os pagamentos de preço fixo anual e do preço variável para o Grêmio.

O relatório da FGV é favorável à arena apenas para um cenário otimista (Libertadores e boas classificações em campeonatos). Além disso, a desoneração do Olímpico dar-se-á com o comprometimento dos valores de televisão dos próximos três anos?

A Fundação Getúlio Vargas, uma das mais conceituadas consultorias brasileiras, foi contratada pelo Grêmio em decorrência de uma demanda do Conselho Deliberativo ao presidente do clube. A consultoria realizou análise de cenários e concluiu que o projeto era viável. Mesmo em cenário desfavorável, o Grêmio arrecadará mais, líquido, do que arrecadaria com o Olímpico.

Por que não aceitar um plano B para o Olímpico e fazer um sistema de cotas para financiamento do projeto?

Todos os relatórios técnicos de consultorias independentes especializadas, nacionais e estrangeiras, indicaram como mais vantajosa a construção de um estádio novo, plano 'A', do que a reforma do estádio Olímpico, plano 'B'. Na ordem natural, 'A' vem antes de 'B'. Além disso, os contratos foram celebrados em caráter irrevogável e irretratável, substituindo todos os contratos e entendimentos anteriores.

Onde será a sede administrativa do Grêmio?

O Grêmio receberá áreas da arena para abrigar suas instalações administrativas, salas de reunião, área para a imprensa, vestiário, vagas de estacionamento, museu... Portanto, a sede será na arena.

Por que o parecer da comissão patrimonial do Conselho Deliberativo não foi levada em consideração já que esta comissão foi contrária ao projeto?

A informação é equivocada, pois o parecer da mencionada comissão deixa bem claro que não era contra a construção da arena. Declarou, inclusive, entender que essa construção seria um passo positivo gigantesco do Grêmio. Porém, estabeleceu algumas objeções. A principal delas era a questão da área do terreno que, segundo a comissão, seria de somente 4,9 hectares no Humaitá, bem menor do que no estádio Olímpico (8,5 hectares). Essa ressalva acaba de ser superada com a realização de novo lay-out para todo o empreendimento. Com o desmembramento da área em vários lotes a ser oportunamente realizado, o terreno da arena no Humaitá passa a ser um lote individualizado com uma área de 8,9 hectares, um pouco maior, inclusive, do que a área do estádio Olímpico.

domingo, julho 12, 2009

Pró e antiarena

Caro Wianey

Como moderador da comunidade do orkut Grêmio Arena, me atrevo a tecer algumas considerações a respeito das dúvidas levantadas pelo conselheiro Marco Antônio Souza.

A comunidade Grêmio Arena vem mantendo contato regular com Grêmio, antes com o vice-presidente Antonini e agora com o presidente do Grêmio Empreendimentos Dr. Adalberto Preis. Nossos contatos e reuniões são para dirimir dúvidas para toda torcida, levar sugestões (algumas foram bem aceitas) e manifestar o nosso apoio de entusiastas inclusive nos colocando à disposição do clube se assim for necessário.

Então vamos às questões:

Em nenhum momento o Grêmio pagará “aluguel” na arena. Na estruturação do negócio, o Grêmio, enquanto a dívida da OAS com o BNDES estiver sendo amortizada, terá pleno uso do equipamento, receberá 7 milhões anos reajustáveis e 100 porcento da receita líquida se houver. Portanto, como podes ver, não há aluguel e nem pagamento algum por parte do Grêmio neste período. A receita dos 7 milhões é fixa e independe do resultado da arena neste período, sendo ela equivalente ao que se arrecada hoje no olímpico, não havendo perda alguma para o Grêmio.

Quanto à comparação patrimonial entre os dois clubes, acho estranha a manifestação do conselheiro. Receberemos um equipamento de ponta, moderno, multiuso, com menos custos de manutenção, em uma área equivalente do Olímpico, com a plena propriedade em 20 anos, como qualquer mortal que compra o seu imóvel financiado no SFH e aliena fiduciariamente sua dívida no imóvel. Como poderia eu comparar uma bela reforma em uma kombi 69 com um Mercedez 2012?

Quanto à questão de transparência, também acho estranha a manifestação. Quando da apresentação das propostas ao conselho em novembro de 2007, as mesmas ficaram à disposição dos conselheiros para análise, mas menos de 100 conselheiros fizeram esta verificação. O Antonini sempre esteve à disposição dos conselheiros e sócios para explicar o processo e recentemente, em um sábado no olímpico, o Dr. Preis, na conversa da direção com os sócios, respondeu exaustivamente às perguntas e questões levantadas por estes. Nós somos testemunhas vivas desta transparência ao sermos sempre muito bem recebidos por Antonini e Preis. Estranha esta manifestação, muito estranha.

Quanto aos riscos. É verdade que a crise mudou as visões de negócio existentes antes dela, o próprio projeto arena foi modificado após o furação do ano passado, mas quais os riscos então? O Grêmio não será tomador de nenhum empréstimo ou financiamento, não entregará o seu patrimônio atual, o Olímpico, sem que antes haja a entrega da Arena, concluída e com todos os equipamentos. Qual o risco então? O risco de uma enorme desilusão tão somente. O conselheiro fala em “uma simples aquisição de um estádio pronto”. Simples?

É tão simples que ninguém o fez ainda, destituindo de seriedade o autor da frase. Também diz que não sabe quanto o Grêmio pagará durante os 20 anos. Aqui temos que abrir um parêntese para definirmos este “pagamento”. Durante o pagamento da dívida, que pode durar de 7 a 9 anos, o Grêmio receberá 7 milhões fixos reajustáveis mais 100 porcento da receita liquida e, após este período, o valor fixo passa para 14 milhões ano e 65 porcento da receita líquida.

Ora, em ambos cenários o Grêmio terá uma receita maior que a que obtém hoje com o Olímpico e receberá ainda um patrimônio novo como já falei antes. Quem está pagando a quem neste caso? O Grêmio que arrecada menos como o estádio atual que possui valor menor à arena que receberá ou a OAS que para lucrar com os seus empreendimentos no entorno banca a maior parte da construção? Como eu poderei aferir com certeza os valores percentuais quem ambos receberão da receita da arena, sem que esta esteja balizada em situação futura, feita em cenários diferentes, mas em todos com obtenção de lucro? Mais uma vez temo pela seriedade do conselheiro.

Quanto aos valores imobiliários, temos a informação de avaliação do Olímpico em 80 milhões, porém agravado com o futuro custo de uma demolição. Será que alguém da “oposição à arena” já parou para pensar o quanto custa para demolir um estádio como o Olímpico que é uma montanha de concreto? Porém o valor da arena eu sei que será superior a 300 milhões. Não seria uma troca patrimonial vantajosa? É verdade que o valor do terreno do Olímpico terá uma avaliação superior em virtude do aumento dos índices construtivos, mas também o terreno do Humaitá terá a mesma valorização pelos mesmos motivos. Qual o problema? Ainda mais se pensarmos que o empreendimento no bairro proporcionará mais valor agregado ao terreno.

A questão da desoneração. Tirando o apelo burlesco das palavras do conselheiro, ficamos com os fatos. As dívidas que oneram o Olímpico já existem, não estão sendo criadas em função da arena, onde inclusive o Grêmio não está aportando dinheiro algum. Portanto, a desoneração do terreno do Olímpico deveria ocorrer de qualquer maneira a não ser que o nobre conselheiro estive com a intenção de dar o calote, elevando o nome do Grêmio tão decantado em suas linhas, ao limbo dos caloteiros.

O processo de desoneração está acontecendo normalmente e o Grêmio tem prazo para fazê-lo até à entrega da arena, em torno de 3 anos, qualquer coisa em contrário é mera especulação e a cláusula das verbas de televisão é mera garantia para o negócio, podendo o Grêmio inclusive proceder em uma troca de garantia com os credores atuais. O conselheiro, uma mãe Diná por certo, já afirma que jovens promessas serão vendidas, verbas serão comprometidas, dirigentes serão presos, etc.

Só nos resta fugirmos para as colinas e esperarmos resignadamente o juízo final. Esquece o nobre, que justamente a arena será a responsável por um aporte de recursos que não possuímos hoje, uma diminuição extraordinária de custos, isto tudo avalizado pela Fundação Getúlio Vargas e não em um escritório de contador localizado em uma galeria da cidade.

Diz o conselheiro que “A construção da Arena não aponta para qualquer indicativo de solução para os graves problemas que o Grêmio hoje enfrenta”. Baseado em quais cálculos, conselheiro? No seu achômetro? Há quem dissesse uma vez que o uso do som nos cinemas não iria vingar, porque tiraria o charme dos filmes mudos....fico pensando se não era algum antepassado seu.

O conselheiro pergunta por que não se recupera o Olímpico e se faça ali um empreendimento com shoppings e centro empresarial. Ora, conselheiro, creio que o senhor não freqüente as reuniões do conselho, pois lá já foi exaustivamente explicado que uma reforma é inviável financeiramente por seus custos elevados, sendo maiores que a construção de um estádio novo. Quem bancaria este custo se o senhor mesmo informou que estamos endividadas e não podemos abrir mão das verbas do futebol? Que milagre é esse? Por favor........

O padrão Fifa. Serei rápido aqui. Veja bem conselheiro, o padrão Fifa não é perseguido para se sediar jogos da copa do mundo, mas para termos um estádio qualificado enquanto ele durar, entendeu?

Questão ISL. Esta é uma leviandade do conselheiro, pois são questões completamente diferentes onde a ISL tinha participação no futebol, era credora de recursos aportados, não envolvendo em patrimônio imobiliário. A parceria com a OAS, não envolve situação de dívida. O Grêmio não deverá nada à OAS, essa terá somente uma participação temporária na receita da Arena, sejam elas quais forem, baixas ou altas. Argumentos falaciosos, tão somente, como se toda a decisão unânime daqui para frente seja algo ruim para o clube e isso esteja à sombra da ISL.

Com relação ao fundo social. Como o senhor gosta de fazer perguntas ao sócio, farei uma para o senhor. O que seria melhor para o sócio patrimonial, um patrimônio de valore menor, onerado por dívidas ou um novo patrimônio com valor superior e desonerado em 20 anos? Interessante que o conselheiro advoga e julga juridicamente a questão. O que dizem os nossos magistrados à respeito?

Parecer da comissão de patrimônio. Aqui o conselheiro vai além, distorce a verdade. As comissões do conselho são representativas de todas as facções do Grêmio, portanto não há parcialidade política. Os pareceres apontaram necessidade de alterações nos contratos, mas não se posicionaram contra o negócio.

O próprio trabalho da Fundação Getúlio Vargas, apoiado pelo presidente Odone à época, ajudou nestes pareceres. Correções foram feitas nos contratos e as verbas fixas, durante os 20 anos, trouxeram segurança ao negócio, ao contrário do que prega o conselheiro, independentemente se estaremos em libertadores ou participando de finais. O conselheiro diz: “Ou seja, fora do cenário ótimo (praticamente impossível de ser cumprido) a construção da Arena trará prejuízos ao Grêmio. Palavras da FGV.” Desculpe-me conselheiro, mas isso é uma enorme falácia como já demonstrei antes.

Ipiranga de Erechim e Cidreira. Não seja simplista, conselheiro. Não se constrói títulos somente com patrimônio, mas também com torcida (Ipiranga e Cidreira têm?), com boa administração e bom plantel, mas que a construção de estádios em GRANDES clubes, impulsiona os títulos, não tem como negar, estão aí os exemplos do co-irmão, do Atlético Paranaense e de nós mesmos após a conclusão do Olímpico Monumental, ou será que estou enganado? O senhor fala que a prioridade é sanar suas finanças, então eu lhe pergunto: Construir uma arena que trará mais recursos e diminuirá os custos não é uma excelente forma de atingir estes objetivos prioritários?

Por fim, respondo às quatro perguntas.

1) Meu imóvel não é passível de uma simples reforma, está onerado em dívidas e não pagarei financiamento algum por este apartamento de luxo no Humaitá. Quem não fizesse a troca não moraria em nenhum dos dois imóveis, mas no hospital psiquiátrico São Pedro.

2) Eu sei quanto custa. Custa o meu imóvel velho que alguém terá o custo de demolir em detrimento de um apartamento que vale no mínimo quatro vezes mais.

3) Essa avaliação já foi feita, mas salta aos olhos a diferença entre um fusca e um vectra.

4) Como já falei antes, o custo é muito inferior ao patrimônio que receberei. Se o conselheiro tiver um negócio destes a me oferecer, quero me manifestar aqui como o primeiro interessado.

Wianey, como podes verificar, não houve a mínima dúvida em minhas respostas. Há interesses muito acima do clube envolvidos nesta questão. Espero que no mínimo estes senhores aceitem os bons ventos democráticos do clube e cerrem fileiras pelo clube, caso contrário, aconselho a estes, os bons ares do bairro Menino Deus, mais próximo do rio.

Abraços

Glenio Costa de Mello
Moderador da comunidade Grêmio Arena no Orkut
Sócio do Grêmio

Essa carta foi elaborada em resposta à manifestação de outro associado do Grêmio, matéria publicada na coluna de W.C. em Z.H.

O enorme risco da arena para o Grêmio

Marco Antonio Costa Souza

O Rio Grande do Sul alcançou um destaque ímpar no cenário esportivo mundial. Afinal que outra cidade do porte de nossa Capital tem dois campeões mundiais, três títulos da Libertadores, cinco Copas do Brasil, cinco campeonatos brasileiros etc.

A pujança de nosso futebol está alicerçada na disputa e na igualdade de Grêmio e Internacional. É curioso observar a extrema similitude do currículo dos dois clubes: (1) ambos têm pouco mais de um século de existência, sempre dedicada ao futebol; (2) o número de vitórias em confrontos diretos é muito parecido, apesar dos 100 anos de disputas; (3) o número de campeonatos regionais também é muito semelhante; (4) o Grêmio tem mais "Copas do Brasil", enquanto o Inter tem mais "Brasileiros"; (5) o Grêmio tem duas "Libertadores" e o Inter uma; (6) ambos foram campeões mundiais.

Esse equilíbrio é exatamente reconhecido como o fator motivador de nosso sucesso no mundo do futebol.

Pois esta paridade poderá ser rompida, se o Grêmio insistir na absurda idéia de construir a Arena nos moldes anunciados.

Se forem concluídos os dois projetos hoje prometidos, em 2014 o Internacional terá um imenso patrimônio e contará com um complexo esportivo incomum entre clubes de futebol. O Grêmio, ao contrário, será um time de futebol com um estádio que somente será seu 20 anos depois, sendo que durante todo esse período pagará um aluguel que absurdamente até hoje não foi calculado.

O Grêmio no seu aspecto institucional é quase um ente público. Assim sendo, a sua administração exige transparência absoluta, que não está sendo aplicada no presente caso. Por quê?

Ser um clube moderno não é correr riscos excessivos. Moderno hoje, sem dúvida, é ter cautela, especialmente se lembrarmos da recente crise econômica que assolou o mundo.

Há um ano modernidade poderia ser sinônimo de riscos elevados. Hoje, moderno é ter cautela e riscos minimizados. Que bom para o mundo que houve essa mudança e que pena que o Grêmio ainda seja antigo neste tópico de muitíssima e vital importância, preferindo correr um risco exacerbado, desnecessário e totalmente desproporcional ao tamanho do Clube!

Apesar da propalada e aparente complexidade do negócio Arena, tudo pode ser resumido à simples aquisição de um estádio pronto, através de uma parcial dação em pagamento da área da Azenha e pela participação da construtora durante 20 anos na exploração econômica do novo estádio.

O Grêmio sabe quanto custará a construção da Arena (R$ 307.000.000,00), segundo foi divulgado.

Mas o absurdo é que o Grêmio não sabe quanto pagará pelo novo estádio. Quem fez essa afirmação peremptória perante uma platéia de 50 gremistas no Restaurante Copacabana (alguns dias atrás) foi um dos dirigentes da Grêmio Empreendimentos.

Mas o show de horrores e absurdos não para por aí, pois o Grêmio não tem uma avaliação atualizada da Azenha e assim também não sabe quanto vale a área que está sendo entregue em dação em pagamento. A avaliação que existe é anterior à elevação do índice de construção, o que a torna imprestável.

Quem de nós, na administração de nossos negócios pessoais, faria um negócio sem saber o seu valor final? Quem de nós, na administração de nossos negócios pessoais, daria como parte do pagamento de um negócio uma área não avaliada corretamente?

Se nós não faríamos pessoalmente um negócio similar, por que o Grêmio deve fazer?

Um clube com uma dívida imensa, cuja atividade fim são resultados em campo, não deve comprometer 100 anos de história, lutas, glórias e conquistas em uma aventura totalmente despropositada, cujos benefícios principais serão auferidos por terceiros.

E não se diga que a construção do novo estádio não sangrará recursos do futebol. Pelo acordo assinado com a OAS, o Clube deverá desonerar as penhoras incidentes sobre a Azenha no período de três anos. De onde sairá este dinheiro? Obviamente que do futebol, tanto que a garantia exigida pela OAS, admitida pelo Grêmio, é exatamente a verba da televisão.

Ou seja, nos próximos 3 anos o Grêmio deverá "desviar" R$ 21.000.000,00 de sua atividade fim, para liberar a área que será entregue para a OAS.

É quase impossível de imaginar que os atuais dirigentes do Grêmio saibam das condições do contrato assinado ainda na gestão passada, pois o eventual descumprimento da destinação de R$ 7.000.000,00 anuais da verba da televisão, poderá implicar na prisão dos dirigentes que não forem adimplentes com a obrigação, eis que são considerados "depositários" daqueles valores.

Fica assim evidente que o valor acima referido será honrado, em prejuízo das demais atividades do Clube, em especial o futebol.

Muitas das dificuldades que o Grêmio enfrentou e enfrenta dentro de campo decorrem de péssimas administrações e da consequente insuficiência de recursos para manter ou trazer atletas.

É inadmissível que um clube com a grandeza do Grêmio tenha enfrentado imensas dificuldades para pagar um milhão de dólares ou euros por um jogador considerado necessário (Souza).

É inadmissível que o Grêmio tenha precisado vender jovens promessas para poder manter um jogador reconhecidamente bom, mas certamente já muito mais perto do final da carreira.

É inadmissível que o Grêmio sistematicamente precise vender craques e promessas de craques e pense simultaneamente em construir um luxuoso estádio.

O objetivo do Grêmio são vitórias, títulos e o estádio deve ser uma conseqüência da grandeza esportiva do Clube. O Grêmio não é uma empresa imobiliária, mas um clube de futebol.

Todos nós sabemos, e a história está aí para confirmar, que sonhos e projetos faraônicos são o caminho mais curto para a ruína.

Clubes endividados namoram o rebaixamento, enquanto clubes equilibrados financeiramente disputam títulos. Não é por outro motivo que TODOS os grandes clubes brasileiros que foram rebaixados para a segunda divisão enfrentavam — exatamente no momento dos rebaixamentos — graves crises financeiras, posteriores a administrações desastrosas e pródigas em gastar desmesuradamente, além de outros problemas.

A construção da Arena não aponta para qualquer indicativo de solução para os graves problemas que o Grêmio hoje enfrenta, muito pelo contrário, denotam condições e riscos não ponderados adequadamente pelos dirigentes, capazes de comprometer um passado de glórias, um presente de muitas lutas e um futuro que não nos pertence, mas que deverá — desejamos nós — ser saboreado por nossos filhos.

O que mais precisará mais para que o Grêmio para não queira essa Arena?

Por que não recuperamos o Olímpico? Basta explorar as áreas contíguas ao estádio ("carecão", ex-piscinas, ginásio, Mosqueteiro), transformando-as em centro empresarial, shopping, hotel, centro de convenções, estacionamento etc.

Com o dinheiro da exploração destas áreas o Grêmio reforma o Olímpico e ainda segue recebendo rendimentos indefinidamente. Pode manter o campo suplementar, transformando-o em um mini-estádio, com estacionamentos no sub-solo.

Por que não?

Por que não consultar a torcida sobre a reforma do Olímpico ou a construção da Arena?

Por que não?

E não venham dizer que o Olímpico está localizado em lugar de difícil acesso para os padrões Fifa.

Essa balela de "padrão Fifa" é uma ilusão, pois se algum jogo vier a ser realizado na nova Arena na Copa do Mundo de 2014 (contrariando todas as indicações até agora existentes que apontam para o Beira-Rio), não será muito diferente de uma partida entre Zaire e Namíbia.

Em lugar de difícil acesso está o Beira-Rio, previamente escolhido pela FIFA como palco das partidas da Copa do Mundo em Porto Alegre, o qual está confinado entre o Guaíba e o morro Santa Tereza, somente possuindo acesso em dois sentidos.

O fato do assunto ter transitado e ter sido aprovado por diversas comissões e pelas mãos e cabeças de diversos gremistas "eméritos" não é impeditivo de uma revisão urgente, pois os equívocos são próprios dos seres humanos.

A maior prova disto — no âmbito do próprio Grêmio em passado muito recente — é o contrato da ISL, aprovado por todas as comissões e quase unanimemente pelo Conselho (apenas 05 conselheiros votaram contra) e que se revelou um equívoco monumental. Nesse caso, a sorte do Grêmio foi que a ISL quebrou, pois do contrário hoje o Clube não teria sequer um estádio.

A discussão do contrato da ISL gerou um consenso muito maior do que a construção da Arena entre os sócios, conselheiros e dirigentes. E nem por isso deixou de ser um erro histórico.

Ainda quanto a aprovação da matéria pelo Conselho Deliberativo há alguns outros aspectos que merecem reflexão, pois esse negócio realizado pelo Grêmio não sobrevive a uma discussão judicial.

Primeiro, porque a aprovação da matéria perante o Conselho Deliberativo ocorreu sem a aferição das presenças ("quorum"), oportunamente requerida conforme consignado em ata e, segundo, porque o texto aprovado não corresponde ao contrato firmado. Somente esses motivos seriam suficientes para colocar em dúvida a questão da matéria já estar vencida. Para que uma matéria esteja vencida é preciso que tenham sido cumpridos os requisitos formais.

Contudo essa questão apresenta mais um "senão", qual seja o fato de que o Conselho Deliberativo tem no máximo legitimidade para fazer a representação associativa e jamais a representação patrimonial dos titulares de quotas de Fundo Social. Uma coisa é representação associativa e outra, muito diferente, é representação patrimonial.

Talvez não seja do conhecimento de todos, mas o Grêmio comercializou no passado quotas de "Fundo Social", onde cada proprietário de "Fundo Social" é titular de 1/1000 de todo o patrimônio imóvel e móvel do Grêmio (assim está expressamente consignado em documento próprio). Nota-se claramente que essa relação patrimonial não pode ter sido representada pelo Conselho Deliberativo, pois os titulares de quotas de "Fundo Social" têm a co-propriedade do patrimônio do Grêmio.

Gostem alguns ou não, esta é uma situação consolidada sob o prisma jurídico. Trata-se de um exemplo típico de direito adquirido, através de um ato jurídico perfeito.

Assim, o fato da aprovação da construção da Arena pelo Conselho Deliberativo não é impeditivo de uma revisão, caso se perceba e se reconheça que houve equívocos no curso do processo. O que vale mais: insistir em um erro ou correr o risco de acabar com um clube de 100 anos de tradição?

Contudo, há outros fatos relevantes e que não foram devidamente analisados nesse processo. O parecer da Comissão de Patrimônio não pode ser tido como favorável ao negócio firmado com a OAS. Exatamente a comissão mais importante em todo esse processo, teve uma posição que não pode ser tida como de aprovação.

E mais, o alardeado estudo da Fundação Getúlio Vargas/FGV somente indicou como favorável ao negócio realizado pelo Grêmio um cenário totalmente improvável para um clube de futebol, sempre sujeito a alterações no seu desempenho. O único cenário que aponta para um negócio rentável exige que o Grêmio tenha uma presença quase constante em Libertadores e figure nas 4 primeiras posições do campeonato brasileiro em todos os anos.

Para demonstrar a inviabilidade do cenário exigido, basta observar que nenhum clube brasileiro nos últimos 30 anos atendeu às exigências de desempenho que colocam a construção da Arena como positiva. Ou seja, fora do cenário ótimo (praticamente impossível de ser cumprido) a construção da Arena trará prejuízos ao Grêmio. Palavras da FGV.

Se agregarmos esses fatos aos demais (falta de avaliação técnica da Azenha, falta de cálculo do valor a ser pago pela Arena, etc) não é possível enxergar como todo esse risco possa ser minimamente razoável. Vale lembrar que um risco elevado implica necessariamente em uma probabilidade de prejuízo muito elevada.

O que é incompreensível é porque não se sanam estas dúvidas agora: Bastaria (1) mandar avaliar a Azenha (não demoraria mais do que 60 dias e o custo não seria exorbitante) e (2) fazer o estudo do custo do novo estádio (é um trabalho que se resolve em poucos dias).

Há medo ou desinteresse nos resultados?

A convicção reinante é que o Grêmio pagará um valor absurdo pelo novo estádio e só esse motivo pode justificar essa nuvem imensa de dúvidas e a inexplicável ausência do cálculo do valor que o Grêmio deverá pagar pela Arena.

Evidentemente que o clube precisa crescer. Mas um clube de futebol não cresce simplesmente como conseqüência da construção de um novo estádio. Se assim fosse, o Ypiranga de Erechim deveria ter sido campeão brasileiro, talvez gaúcho, pelo menos da 2ª divisão do interior. Se assim fosse, em Cidreira deveria ter "brotado" um time de futebol minimamente razoável para fazer jus ao "Sessinzão" (pomposamente denominado Estádio Municipal de Cidreira).

Os exemplos são muitos e todos conduzem a um risco muito elevado, maior ainda ser considerarmos a grandeza do Grêmio e tudo o que está em jogo. Aliás, é sempre muito citado o ditado que "quanto maior a árvore, maior o tombo".

Não há dúvidas que o Grêmio está tentando alterar a ordem dos fatos e isso é muito perigoso, além de quase sempre redundar em um problema imenso. A construção da Arena não assegurará títulos e conquistas para o Grêmio na sua atividade fim. Pelo contrário, a construção de um estádio retirará (ver caso das penhoras do Olímpico) recursos do futebol, dificultando PERMANECER em um lugar privilegiado no cenário esportivo.

Por outro lado, uma equipe vencedora proporcionará mais recursos para manter o futebol forte e, se conveniente, construir um novo estádio.

A primeira prioridade do clube deveria ser sanar suas finanças, montar um bom time de futebol, reconquistar a confiança dos investidores, etc, e aí sim pensar em um novo estádio.

É extremamente importante fazer 4 perguntas para todos os gremistas, em especial para aqueles que têm algum poder de decisão no Grêmio:

1) Na gestão de seus bens pessoais, trocaria um terreno seu, localizado na Azenha, com 500 metros quadrados, onde existisse uma casa antiga de 100 metros quadrados (passível de uma boa reforma) por um apartamento de luxo no bairro Humaitá, com os mesmos 100 metros quadrados de área, com o agravante que ainda pagaria um pesado financiamento durante 20 anos?

2) Na gestão de seus bens pessoais faria o negócio acima referido sem saber quanto custaria esse novo e luxuoso apartamento ao longo e ao cabo de 20 anos?

3) Na gestão de seus bens pessoais, havendo dúvida quanto ao valor da sua propriedade, venderia o imóvel sem a precedência de uma criteriosa avaliação técnica?

4) Na gestão de seus bens pessoais, faria um negócio sem saber qual seria o custo final?

Se houve pelo menos uma única dúvida nas respostas às perguntas acima formuladas, é preciso refletir muito sobre todo esse negócio.

Ninguém poder ser contra o desejo do Grêmio possuir um novo estádio, pois é natural que qualquer pessoa queira ter uma casa boa, moderna, quiçá luxuosa. Mas este é o momento do Grêmio ingressar nessa empreitada? Valem os riscos que estão em jogo?

quinta-feira, novembro 09, 2006

A FALÁCIA DE PERGUNTA COMPLEXA

Mano Menezes é, dentre os treinadores de futebol, um dos que melhor se tem saído nas entrevistas. Enfrenta com respeito, mas sem subserviência os questionamentos às vezes ardilosos. Um dos mais capciosos é o da "pergunta complexa".
Geralmente, a melhor compreensão vem de exemplos extremos.
"Você abandonou os seus maus hábitos"? "Você deixou de bater em sua esposa"?
Como se vê, impossível responder com um simples "sim" ou "não". Qualquer dessas respostas seria inadequada. Faça o teste. Na pergunta complexa, há sempre a pressuposição de que se tenha respondido a uma pergunta antes que, agora, não foi feita.

São perguntas ardilosas formuladas freqüentemente em entrevistas, em especial nas coletivas pós-jogo.

Quantas vezes uma resposta inadequada a uma pergunta complexa já serviu como a gota dágua para derrubar protagonistas dos clubes?
(base de consulta: Copi)