segunda-feira, março 23, 2009

A Copa 2014 por Fábio Koff

A r t i g o
BRASIL, 2014
Fábio André Koff
"Diante dos louros e bem nutridos atletas anglo-germânicos, a nossa gente bronzeada era acometida de pânico e, ao invés de mostrar o seu valor, gania que nem vira-lata (Nelson Rodrigues)".

Foi assim que o grande cronista, contista, dramaturgo e amante do futebol explicou alguns fracassos da Seleção Brasileira, no Exterior. Padecíamos, na avaliação de Rodrigues, do que ele chamou de "complexo de vira-latas". A cura chegou com o título mundial de 1958. Atrás dele veio o bicampeonato, em 62, o tri, em 70, o tetra em 94 e o penta em 2002. O pânico de outros tempos foi substituído por um respeitado e festejado orgulho de vencedores. Legítimos campeões mundiais. O futebol brasileiro já não "gania como vira-lata" e o povo brasileiro cantava as suas façanhas com justificado júbilo. O planeta escutava e aplaudia.

Mas, quando aquela enfermidade moral parecia, definitivamente, deletada da memória e da atitude do futebol brasileiro, eis que ressurge em virulento e inesperado surto. Não renasce de algum inexplicável fracasso mas, sim, do ato ousado e grandioso de um país que reivindicou para si a formidável tarefa de organizar o maior espetáculo da terra: uma Copa do Mundo.

Diante do matraquear furioso de contestações e previsões catastróficas, desencadeados dentro do Brasil, a pergunta da jornalista canadense sobre os planos brasileiros para proteger os torcedores estrangeiros da violência soou como tímido e delicado questionamento.

Foge-nos a prerrogativa de ignorar nossos dramas internos, sendo nosso intransferível dever sermos previdentes. Tanto quanto fomos, recentemente, quando sediamos os Jogos Pan-Americanos, no Rio de Janeiro, um bom exemplo que já parece perdido no esquecimento.

Comparados a europeus e asiáticos, somos um país adolescente ensaiando os primeiros passos, verdadeiramente democráticos, da sua vida. É razoável que, em nossa recém iniciada caminhada, tropecemos e, às vezes, até percamos o rumo. Porém, nossa curta trajetória de nação independente já coleciona alentados exemplos de determinação, criatividade e força de trabalho. Podemos identificá-los, desde que não nos afete a enfermidade diagnosticada por Nelson Rodrigues.

Temos um Presidente da República determinado a alinhar o Brasil entre as grandes nações que já sediaram mundiais, Governadores engajados e com disposição para construir e oferecer à Fifa o que a entidade exige, um Presidente da CBF que não se encolhe diante do gigantismo da empreitada, um Ministro de Esportes atuante e incansável, clubes solidamente organizados, entusiasmados com o projeto e dispostos a colaborar e, acima de tudo e de todos, um povo que não economiza energia, talento e alegria mesmo quando é colocado diante das mais desafiadoras missões.

Podemos, sim, realizar uma grande Copa do Mundo, talvez inesquecível. Devemos, sim, dar este passo que nos adiantará na história, acelerando o processo de redimensionamentos das nossas infra-estruturas. Deixemos, por isso, de ser vira-latas. Abandonemos os nossos complexos e empreendamos esta caminhada que a bom termo chegará se não faltarem união, fé e disposição. Vamos em frente! Com ousadia, personalidade e vontade de time grande. A estrada é longa e pedregosa, mas podemos percorrê-la. E não nos importemos se das margens brotarem ganidos amedrontados. O êxito de quem constrói haverá de emudecer o alarido das profecias apocalípticas.

Até 2014, Brasil.
Fábio André Koff
Presidente do Clube dos 13
koff@clube13.com.br
http://clubedostreze.globo.com/Site/Component/artigos-31-10-2007.aspx

4 comentários:

Anônimo disse...

O texto faria inveja ao Conde Afonso Celso ! Porque me ufano de meu país...

Anônimo disse...

O texto faria inveja ao Conde Afonso Celso ! ..."Porque me ufano do meu país"...
Agora, vai...

Anônimo disse...

Agora, vai...

Hélio Sassen Paz disse...

BOM EXEMPLO?! O PAN?!

O presidente Koff deve estar incensado pelos louros da Globo, que banca o Clube dos 13 e não faz jornalismo investigativo nem contra o COB, nem contra as federações, nem contra a CBF.

A ESPN BRASIL é o único canal que faz crítica e investigação 100% do tempo. Já fizeram programas sobre as heranças do Pan que me deixaram horrorizado ou, melhor: amante do esporte em geral que sou, INDIGNADO.

A corrupção nas federações, o superfaturamento e as licitações fraudulentas nas obras, os atrasos que geraram multas, a entrada do Governo bancando 3/4 do orçamento, a morosidade do Ministério Público, a blindagem das gestões de Carlos Arthur Nuzman e de Ricardo Teixeira e a tergiversação do presidente Lula quando entrevistado a respeito mostram que o Brasil não está preparado para dar uma de gostoso enquanto não minimizar ao máximo as mazelas sociais.

[]'s,
Hélio